Raquel Varela vê relação entre lutas nos bancos e PS

A historiadora Raquel Varela considera que "começa a haver uma escassez de recursos para dividir o bolo por todos os de cima - o sector industrial, financeiro e bancário?" e que essa situação tem "reflexo dentro dos partidos políticos que estão mais ligados ao poder: PSD e PS. Vai mais longe e aponta o caso da crise interna do PS: "Já não há dinheiro para dividir por todas as frações da burguesia portuguesa. As lutas em torno dos bancos aparentemente nada têm a ver com as no PS, mas podem ter mais a ver do que pensamos".

Para a investigadora que recentemente publicou um livro onde devolve ao povo o papel no período que se seguiu à Revolução de Abril [PREC], ao arrepio das correntes históricas tradicionais que têm retirado à população protagonismo, a "investigação histórica não tem que suportar o peso dos vivos" e "não pode depender da pressão política sobre os investigadores?". É o mesmo problema, alerta, que "tocar agora nas questões centrais da segurança social e da sustentabilidade do estado social".

Sobre a acomodação dos historiadores, Raquel Varela alarga a questão: "Muitos intelectuais tornaram-se convenientes. Acho que o seu papel é ser contrapoder, seja qual for o poder. Não interessa o regime político ou se o intelectual o apoia ou não". Daí que assista desconfiada ao "fenómeno comum no século XX da captação dos intelectuais pelos diversos regimes políticos". Acrescenta: "Tanto vale para Pablo Neruda a dedicar poemas a Estaline como para intelectuais de renome em Portugal que apoiaram toda a onda de privatizações e o desmantelamento do estado social. Os exemplos dos intelectuais seduzidos pelo poder são comuns". Quanto às elites culturais portuguesas é sintética: "Falta solidez em diversas áreas da cultura e do pensamento intelectual e há uma regressão muito grande".

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