PSD diz que mandato de Carlos Costa foi "exemplar"

Carlos Abreu Amorim reconhece, no entanto, que a atuação do governador do Banco de Portugal foi objeto de "reparos" na comissão de inquérito ao BES. "Não podemos ilibar quem quer que seja", salienta.

O PSD subscreveu esta quinta-feira a posição do governo, expressa pelo ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes, de que o mandato de Carlos Costa foi "exemplar". Porém, o deputado Carlos Abreu Amorim, coordenador dos sociais-democratas na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao colapso do BES/GES, salientou que essa atuação foi "exemplar" "dentro dos condicionalismos" que o sistema financeiro enfrentava na altura.

"O grupo parlamentar do PSD encara com naturalidade a nomeação", afirmou Abreu Amorim, que prosseguiu com os elogios falando na "coragem" do governador do Banco de Portugal (BdP) para dizer "não" a quem - o visado era Ricardo Salgado - nunca o tinha ouvido.

Para ilustrar a posição, o deputado "laranja" recordou o caso BPN e notou que o agora responsável máximo pela supervisão bancária foi "equidistante" e acrescentou que estava ciente das diferenças face ao governador da altura, Vítor Constâncio. E aproveitou a oportunidade para contestar a crítica do PS de que a recondução de Carlos Costa era partidária, assinalando que Constâncio, ex-líder socialista, foi escolhido pelo próprio PS. "Mais partidário que isso era difícil", ironizou.

Questionado pelos jornalistas, no Parlamento, sobre o facto de o relatório da CPI - elaborado pelo também social-democrata Pedro Saraiva - ter feito vários reparos ao desempenho do BdP, Abreu Amorim realçou que "todos os intervenientes" na derrocada do banco e do grupo mereceram críticas. "Não podemos ilibar quem quer que seja", reforçou.

Já sobre a audição prévia a que Carlos Costa está obrigado - à luz de legislação recentemente aprovada -, o deputado do PSD refutou a tese do PS de que poderia estar em causa "um mero formalismo".

Ao longo da CPI, o PSD esteve longe de ser meigo com o governador. Foi, de resto, o próprio Carlos Abreu Amorim a atacar a intervenção tardia do BdP no caso BES - em particular por causa da estratégia de ring fencing, ignorada pelo ex-presidente executivo do banco - e também devido às declarações do supervisor de que não tinha poderes para retirar a idoneidade a Salgado. A inflexão verificou-se quando o primeiro-ministro deu uma entrevista à RTP, deixando o recado aos deputados para não confundirem falhas de gestão (do banco) com as de supervisão. A mensagem era clara: para Passos, o principal responsável não era Carlos Costa.

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