PSD considera que permanecem "dúvidas" nas razões da nacionalização

O deputado do PSD Afonso Oliveira considerou hoje que a audição ao ex-administrador do BPN provou que as justificações para a nacionalização do banco não foram suficientemente sustentadas e que a supervisão do Banco de Portugal não foi eficaz.

No final da audição da comissão de inquérito do BPN a Meira Fernandes, administrador do BPN aquando da nacionalização, que integrava a equipa liderada por Miguel Cadilhe, o deputado social-democrata considerou que ficou "provado que as matérias que levaram à nacionalização [do BPN] deixam muitas dúvidas sobre as justificações" desse processo.

Segundo Afonso Oliveira, o depoimento de hoje demonstrou ainda que a supervisão do Banco de Portugal ao BPN "não foi eficaz".

Por fim, Meira Fernandes disse que o processo que se seguiu à nacionalização do BPN poderia ter tido "custos muito mais reduzidos" se tivessem sido tomadas outras opções.

João Meira Fernandes, que fez parte da administração do BPN durante a liderança de Miguel Cadilhe, estando no banco quando se dá a nacionalização, em novembro de 2008, foi hoje muito crítico relativamente à atuação do Banco de Portugal (BdP) neste caso, tal como Cadilhe já o tinha sido em audição nesta mesma comissão.

Segundo o ex-administrador, além de o regulador bancário ter sido "negligente" na supervisão ao BPN, ainda "assustou" os depositantes através de declarações do então governador, Vítor Constâncio.

Meira Fernandes considerou ainda hoje que o resgate do BPN teria custado menos 380 milhões de euros aos contribuintes se o Governo e o Banco de Portugal tivessem aceitado o plano de reestruturação de Miguel Cadilhe.

"Como havia uma participação dos acionistas de 380 milhões de euros, em qualquer caso era sempre menos 380 milhões de euros. Em aritmética pura são mais 380 milhões de euros, porque o Governo podia depois nacionalizar em qualquer altura", afirmou.

Sobre a nacionalização do banco, Meira Fernandes considerou "incompetentes" as justificações dadas para a tomada dessa decisão e questionou sobretudo o argumento do risco sistémico.

Meira Fernandes é co-autor de um livro sobre o BPN, intitulado BPN - Estado a Mais, Supervisão a Menos que, segundo o próprio, serviu para deixar "expresso os responsáveis pelas irregularidades [no BPN], os custos que os contribuintes tiveram de suportar e como as autoridades de supervisão foram ineficientes".

O livro, escrito em colaboração com João Carvalho das Neves, colega na administração Cadilhe no BPN, serviu também para "deixar claro que havia alternativa à nacionalização", afirmou.

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