PS repudia "desrespeito" de governador do BdP por deputado

O Partido Socialista manifestou hoje o seu "repúdio" pelo comportamento do governador do Banco de Portugal (BdP), que na semana passada "desrespeitou" o deputado João Galamba, e sugeriu que Carlos Costa faça "um pedido de desagravo".

"Queremos registar o nosso repúdio, e o nosso desejo de que eventualmente possa haver um pedido de desagravo, que seria devido a este órgão de soberania", declarou o deputado socialista Pedro Marques durante a reunião desta manhã da Comissão de Orçamento e Finanças.

Pedro Marques referia-se a um episódio ocorrido na sexta-feira passada, durante a audição de Carlos Costa na Comissão de Orçamento. Numa discussão relativa à exposição da banca à dívida soberana portuguesa, o governador do BdP irritou-se com as interrupções do deputado do PS, acusando-o de "ignorância" e "má fé intelectual" num registo pouco habitual em audiências nas comissões parlamentares.

Na altura, João Galamba exigiu um pedido de desculpas a Carlos Costa, que não o fez.

"Não queremos continuar a alimentar [polémicas] em torno deste assunto, mas este órgão teria merecido" outro tratamento, disse hoje Pedro Marques.

O incidente ocorreu com um membro da bancada socialista, mas o PS "teria a mesma posição sobre uma falta de respeito para com qualquer deputado da Assembleia da República (AR)", acrescentou o antigo secretário de Estado da Segurança Social, descrevendo os termos das declarações de sexta-feira do governador do Banco como "totalmente impróprios".

"Sobretudo, esperamos que nada de semelhante volte a ocorrer, nem da parte do sr. governador nem de qualquer outro representante" de entidades ouvidas nas comissões parlamentares, concluiu Marques.

O também socialista Eduardo Cabrita, presidente da comissão de Orçamento, disse "compreender" a posição da bancada do PS, e recordou as "regras de serenidade parlamentar", a mesma expressão que na semana passada usou dirigindo-se a Carlos Costa, regras que "vinculam quer os deputados quer as entidades recebidas" na AR.

"Não farei qualquer diligência adicional, chamei atenção ao sr. governador na altura, todos o compreenderam, julgo que o governador também", disse Cabrita. "Espero não ter de fazer esta chamada de atenção mais vezes".

Num artigo de opinião hoje publicado no Diário de Notícias, excertos do qual já tinham sido publicados no blogue Jugular, Galamba volta a referir-se aos termos do seu desentendimento com Costa.

"Carlos Costa chamou-me ignorante, acusou-me de não perceber o conceito de 'crowding out' e mandou-me aprender. Para demonstrar o seu conhecimento, Carlos Costa deu uma pequena aula: Um banco pode dar crédito a três tipos de entidades - Estado, empresas e particulares -, e como o crédito é escasso, se concedermos mais crédito a uma dessas entidades, então, necessariamente, há menos crédito disponível para as restantes. Esta história tem um problema: É falsa", escreve o deputado socialista no DN.

O governador do Banco de Portugal ainda não fez quaisquer comentários ao incidente de sexta-feira.

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