PS não se autonomizou da "última encarnação"

O comentador televisivo Marcelo Rebelo de Sousa defendeu hoje a necessidade do PSD começar já antecipar propostas para o pós-crise, ao contrário do que está a fazer o PS que ainda não se autonomizou da "última encarnação".

"É muito importante enfrentar esta crise, (...) mas já temos que estar a trabalhar nessa outra fase, porque dois anos não é nada. E daqui a dois anos é outro mundo e nesse outro mundo tem de haver outras resposta do PSD, muito diferentes das que foram encontradas para esta situação de crise", disse o antigo líder social-democrata, durante uma 'aula' da Universidade de Verão do PSD, que decorre até domingo em Castelo de Vide.

Indo ao encontro da ideia já defendida pelo Presidente da República de pensar o 'pós-troika', Marcelo Rebelo de Sousa considerou que, "olhando para o PS", os sociais-democratas podem ganhar o desafio se não perderem tempo.

"Olhando para o PS nós temos essa oportunidade, pode ser que o PS mude. Mas, o PS que existe hoje é um PS que não conseguiu autonomizar-se da última encarnação", sustentou.

Confessando que esperava do atual líder do PS, António José Seguro, "alternativas substanciais" em relação ao que tenciona fazer de "muito diferente" dentro de dois anos, Marcelo Rebelo de Sousa exortou os sociais-democratas a começarem a pensar no futuro.

"O PSD tem a obrigação de começar a pensar já o que vai fazer de muito diferente depois de 2015. Não apenas porque PS ainda não fez, mas porque é obrigação do PSD antecipar a viragem que vai haver em 2016, em 2017, em 2018, em 2019", preconizou, recordando a capacidade de antevisão que o seu partido já mostrou em outros momentos da história.

Ao longo de uma longa 'aula', que se prolongou por cerca de duas horas e meia, Marcelo Rebelo de Sousa abordou ainda a questão dos consensos políticos, notando que "há aspetos que implicam consensos amplos de regime".

Contudo, reconheceu, esses consensos "são difíceis", "porque em períodos de crise as forças políticas estão muito radicalizadas e não querem fazer consensos".

Porém, em matérias de educação, defesa, política externa e europeia, sistema eleitoral ou reforma do Estado, todos os partidos em geral, nomeadamente os do "arco da governação", "devem estar despertos para a realidade", acrescentou.

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