PS "já mudou mais vezes de opinião" do que a Grécia sobre a dívida

Ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, critica tomadas de posição do PS sobre o novo governo grego liderado pelo Syriza, de Alexis Tsipras.

O ministro da Defesa afirmou esta quarta-feira que o PS "já mudou mais vezes de opinião" sobre o novo governo grego do que este relativamente à renegociação da dívida e pediu uma clarificação.

"Quem tem mudado de opinião em relação ao Syriza tem sido o secretário-geral do PS, António Costa, que quando foi a vitória do Syriza disse que isso era um sinal de otimismo e esperança e depois, quando houve um recuo [de Atenas] no que diz respeito às medidas de austeridade disse que era realismo", disse José Pedro Aguiar-Branco.

O governante falava aos jornalistas no final da sessão de abertura das comemorações dos 150 anos da Cruz Vermelha Portuguesa, na reitoria da Universidade Nova de Lisboa, depois de confrontado com as críticas do PS ao Presidente da República.

Numa declaração aos jornalistas esta tarde, o presidente do PS, Carlos César, acusou o Presidente da República de humilhar o povo grego ao proferir declarações que revelam pouco sentido de Estado, e ao mesmo tempo de agir como "um delegado eleitoral" do PSD.

Aguiar-Branco ressalvou não ter ouvido as declarações do chefe de Estado, mas defendeu que Cavaco Silva tem demonstrado "ao longo de todos os anos exercer o magistério com independência, isenção, com sentido de Estado".

O ministro da Defesa considerou que as críticas socialistas "não prestigiam quem as faz" e que estas "seguramente obedecem a interesses de caráter interno do PS e não propriamente ao interesse nacional".

"Portugal tem vindo a demonstrar solidariedade em relação à Grécia para que ela permaneça na zona do Euro, para além do empréstimo que fizemos à Grécia de cerca de mil e 100 milhões de euros, Portugal tem vindo a transferir para a Grécia o produto do juros das obrigações na posse do Banco de Portugal, o que significa muitos milhões de euros que saem da bolsa dos contribuintes portugueses", afirmou hoje o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, quando questionado por jornalistas sobre a situação grega.

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