PS exige "transparência" ao Governo sobre compromissos com a 'troika'

O PS exigiu hoje ao Governo uma explicação sobre a data do próximo dia 15 para apresentação dos novos cortes quando o Documento de Estratégia Orçamental (DEO) só tem de ser concluído até ao final de abril.

Este ponto foi levantado por Eurico Brilhante Dias, membro do Secretariado Nacional do PS, numa conferência de imprensa em que acusou o executivo PSD/CDS de "falta de transparência" em relação aos compromissos que assumiu com a 'troika' (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia) para encerrar a 11.ª avaliação do programa de assistência financeira.

"Porquê dia 15 de abril para a apresentação de novos cortes? O DEO deve ser apresentado até dia 30 de abril. O que esconde o Governo?, questionou o membro da direção do PS.

Eurico Brilhante Dias afirmou que o PS desconhece em absoluto que "compromissos inadiáveis" terá assumido o Governo com os credores no âmbito da 11.ª avaliação ao Programa de Assistência Económica e Financeira.

"Este conjunto de interpelações fazem o PS considerar que este Governo não prima pela transparência. Há mais de um mês que o PS pergunta ao Governo que compromissos assumiu para encerrar a 11.ª avaliação", referiu o membro do Secretariado Nacional do PS.

Em relação a possíveis novas medidas de corte na despesa pública, Eurico Brilhante Dias apontou que o memorando inicial assinado pelo Estado Português previa "zero euros de cortes, mas este Governo apresentou no âmbito do Orçamento do Estado deste ano quatro mil milhões de euros de cortes".

"Para 2015, o memorando inicial nem sequer fazia qualquer referência ao ano em concreto, mas o atual Governo aparentemente sublinha que vai apresentar mais dois mil milhões de euros. Um Governo que vai escavando um buraco orçamental, começa a ter cada vez maiores dificuldades em encontrar as famosas gorduras que dizia serem suficientes para equilibrar as contas públicas", sustentou o dirigente socialista, usando alguma ironia.

Na conferência de imprensa, Eurico Brilhante Dias também assinalou que "hoje é um dia triste" para uma parte significativa dos portugueses, já que cerca de 165 mil pensionistas são pela primeira vez abrangidos por um corte nas respetivas pensões por via da aplicação da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) para as prestações acima de mil euros mensais.

"É um dia triste para milhares e milhares de pensionistas. É mais um dia que se acrescenta incerteza e angústia e em que mais uma vez o Governo viola compromissos eleitorais", disse.

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