PS estuda "A arte da guerra" e Cícero

Em ano de autárquicas, o PS discute as cidades e o poder local no seu encontro de verão, de 28 a 31 de agosto, cujo encerramento por António José Seguro marcará a 'rentrée' do partido. Há 17 livros aconselhados para o estudo dos 120 participantes.

Natália Correia soltou poesia no Parlamento, agora será ela que inspirará as tertúlias literárias com que os 120 jovens "universitários" socialistas vão fechar cada dia da Universidade de Verão do PS, que vai decorrer de 28 a 31 de agosto, em Évora. À mesa, há livros como Portugal hoje, o Medo de Existir e Austerity, the History of a Dangerous Idea ("Austeridade, a História de Uma Ideia Perigosa"), mas também A Arte da Guerra, de Sun Tzu, e Como Governar Um País, de Cícero. Com eles e outras 13 obras, pretende-se ajudar a discutir as cidades, mas também aquele que é o mote para a ação atual dos socialistas: "Novo rumo para Portugal."

Pelos espaços da universidade, que marcará também a rentrée do PS - com um comício de encerramento por António José Seguro -, multiplicam-se as referências a figuras internacionais ou nacionais, mais ou menos óbvias. Há Nelson Mandela, mas também Salvador Allende, Norberto Bobbio, John Rawls, Hannah Arendt, Antero de Quental ou António Arnaut, que dão nome a salas de trabalho e que vão balizar a formação que os socialistas querem transmitir aos seus "estudantes".

Estas inspirações não são de ocasião. Ao DN, Álvaro Beleza, um dos "reitores" da universidade, reconhece que são nomes em que os organizadores da iniciativa se reveem bastante - e que cruzam a história do partido, a ciência e filosofia políticas da esquerda socialista e da social-democracia.

As cidades, em ano de eleições autárquicas, são a escolha óbvia, admite o dirigente socialista. Que enquadra a universidade na pólis e na política das cidades. "Esta Universidade tem várias marcas, como as redes, a cooperação entre autarquias", incluindo no debate cidades e Estados vizinhos (há autarcas espanhóis que participam), numa lógica que ultrapassa fronteiras, explica Álvaro Beleza.

"As políticas sociais, mais do que a política do betão, com a atenção para a educação, saúde e idosos, o papel das autarquias na economia e no crescimento de emprego e a economia verde" são outras marcas do encontro que os socialistas definem como de militantes e simpatizantes do PS, sem limitação de idades.

Aos "estudantes" é indicada uma bibliografia selecionada, que o reitor desta universidade justifica pela necessidade da "política só se poder fazer com cultura", lendo e debatendo. "Não pode ser só um exercício de poder pelo poder", insiste, apontando o facto de a esquerda ser reformista. "Os intelectuais têm um papel diferente dos políticos, têm de ser o fermento da política", defende Beleza, citando Norberto Bobbio. Por isto, os 17 livros recomendados (ver caixa) incluem autores portugueses, alguns sobre políticas das cidades e clássicos, como Cícero. "É um back to basics", diz o socialista.

Álvaro Beleza foi desafiado pelo DN a escolher um livro para António José Seguro e outro para Passos Coelho. Se ao secretário-geral do PS o reitor da universidade socialista recomenda AArte da Guerra ("a vida política de um líder da oposição é um combate diário e é preciso ter paciência de chinês", justifica), para o primeiro-ministro as opções são óbvias. "Ler os clássicos, como Cícero. Mas também Austerity, the History of a Dangerous Idea." Nem precisa de explicação.

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