PS e PSD desistem das subvenções vitalícias

Socialistas e sociais-democratas retiram proposta de reposição das subvenções acima dos dois mil euros para ex-titulares de cargos políticos. Decisão evita convulsão nas duas bancadas.

Foi o deputado do PSD Couto dos Santos a confirmar a informação: a proposta de reposição das subvenções vitalícias para antigos políticos caiu ainda antes de ser votada. O social-democrata, coautor da iniciativa, anunciou na abertura da sessão plenária desta sexta-feira que tanto ele como José Lello (PS) abdicavam da proposta por uma questão de "bom senso".

Mas esse "bom senso" de última hora, sabe o DN, resultou do desconforto que se instalou entre as duas bancadas parlamentares, algo que ficou bem patente após a declaração de Couto dos Santos quando os deputados do PSD (e do PS, ainda que com menor intensidade) aplaudiram o recuo - depois da aprovação da norma, na véspera, na comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP).

De resto, o próprio líder da bancada "laranja", Luís Montenegro, não se comprometeu com a proposta, frisando que ela "jamais poderia ser aprovada", uma vez que "não representa a vontade política dos deputados do PSD". E, para o ilustrar, até lembrou que foi a atual maioria PSD/CDS a suspender o pagamento das subvenções vitalícias acima dos dois mil euros.

Pelo BE - que, por avocação, colocou a discussão e votação (que não chegou a acontecer) do artigo em plenário -, Mariana Mortágua salientou que "a justiça foi reposta", até porque, no seu entender, a posição assumida por PS e PSD não constituiu um "ato de bom senso", mas, ao invés, "de má consciência". "Foi uma vergonha que PS e PSD tenham considerado que a prioridade política deste país era repor pensões vitalícias acima dos dois mil euros a ex-políticos enquanto condenam muitas e cada vez mais pessoas a uma vida de pobreza", atirou a deputada bloquista, falando mesmo num "bloco central de Pedro Passos Coelho e António Costa".

Já João Oliveira, líder da bancada do PCP, insistiu que as subvenções vitalícias nunca deveriam ter sido criadas e que essa sempre foi a posição dos comunistas. Porém, o dirigente comunista frisou que o seu partido apresentou uma proposta que visava salvaguardar situações de "subsistência" ou "insolvência".

Por sua vez, Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS, que se absteve na quinta-feira na votação da reposição das subvenções vitalícias, disse que os centristas sempre tiveram "a noção de que não é altura para reposições" e que registam o facto da proposta ter sido retirada.

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