PS diz que Passos está isolado e tem de recuar

O porta-voz do PS defendeu hoje que a posição do CDS-PP sobre as alterações à Taxa Social Única (TSU) demonstra que o primeiro-ministro está isolado quanto a esta medida, mesmo dentro do Governo, e tem de recuar.

"O primeiro-ministro tem de recuar e retirar esta proposta, numa declaração ao país, o quanto antes", declarou João Ribeiro aos jornalistas, na sede nacional do PS, em Lisboa, acrescentando: "Tem de reconhecer que errou e recuar nessa medida. Caso contrário, reafirmamos que o PS apresentará uma moção de censura ao Governo".

Além da posição do CDS-PP sobre as alterações à TSU, João Ribeiro defendeu que "o primeiro-ministro não pode ignorar também o que aconteceu hoje" nas manifestações realizadas por todo o país que, no seu entender, reforçam a ideia de que "esta política do custe o que custar tem de chegar ao fim".

Segundo o membro do Secretariado Nacional e porta-voz do PS, a declaração feita hoje pelo vice-presidente do CDS-PP Nuno Melo sobre o aumento da TSU para os trabalhadores e a redução das contribuições das empresas "demonstra que o primeiro-ministro está isolado, é um homem isolado, é um homem só" quanto a esta medida.

Nuno Melo declarou hoje aos jornalistas, no Porto, que o presidente do CDS-PP, Paulo Portas, teve conhecimento das alterações à TSU, discordou dessa medida e apresentou alternativas, mas "não quis abrir uma crise política".

"A conclusão que podemos tirar desta declaração de hoje do CDS-PP é que dentro do Governo há vozes contra o aumento da TSU, medida que foi anunciada solenemente pelo primeiro-ministro. Esta declaração também revela o desnorte e a desorientação que existe no Governo e o PS reafirma aquilo que o secretário-geral já disse durante esta semana: o Governo tem de recuar", reforçou João Ribeiro.

Relativamente às manifestações realizadas por todo o país, que foram convocadas por um grupo de cidadãos e tiveram como lema "Que se lixe a 'troika', Queremos as nossas vidas", João Ribeiro considerou que "ninguém pode ignorar o que aconteceu hoje em Portugal".

"O PS ouve esta manifestação como ouve todas as manifestações e não fica obviamente indiferente àquilo que aconteceu hoje, mas hoje o que importa é realçar aquilo que foi o comportamento cívico, pacífico dos portugueses, a forma como expressaram a sua indignação contra as políticas do Governo", completou.

Questionado sobre qual a alternativa do PS, João Ribeiro respondeu: "Há outro caminho, o PS apresentou já centenas de propostas, não é esse o problema do país.

"O problema do país, neste momento, é a insistência do primeiro-ministro numa política de austeridade excessiva do custe o que custar. Foi sobre esse problema que os portugueses hoje se manifestaram", sublinhou.

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