PS condena "divergências cíclicas" no Governo

Socialistas acusam Executivo de preparar um aumento "encapotado" de impostos e de gerar incerteza ao discutir na praça pública medidas como a criação de uma taxa sobre "produtos nocivos para a saúde".

"Este é mais um episódio das divergências cíclicas no Governo." Foi desta forma que Eurico Brilhante Dias sintetizou ao DN as críticas ao Executivo de Passos Coelho por causa de uma eventual taxa sobre "produtos nocivos para a saúde", que a ministra das Finanças anunciou na terça-feira e que o ministro da Economia reduziu a "uma ficção".

O membro do Secretariado Nacional do PS lamenta que se discutam em público ideias que "não foram devidamente preparadas e discutidas" internamente e defende, por isso, que o partido "não pode tomar uma posição sobre medidas (e efeitos) que não conhece".

O dirigente socialista sustentou ainda, em declarações à Lusa: "Não podemos ter uma ministra das Finanças a dizer que o Governo tomará uma decisão relativa a uma taxa que incidirá sobre produtos nocivos [com excesso de sal ou açúcar] e depois ouvirmos do mesmo Governo, particularmente do ministro da Economia [Pires de Lima] uma crítica pública a essa medida. Não se governa assim."

"Este Governo tem o hábito de discutir na praça pública, gerando um clima de incerteza e de desconfiança nas instituições", apontou Eurico Brilhante Dias, sublinhando as divergências públicas em torno da taxa social única (TSU), do IRS ou das pensões.

"Este caso é revelador de uma parte da agenda que o Executivo esconde aos portugueses, preparando-se para fazer um aumento encapotado de impostos após as eleições europeias. Mas os portugueses percebem que este Governo tem uma estratégia de cortes e de austeridade a somar a austeridade", rematou.

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