PS acusa Passos de assumir medidas sem ter consenso

Primeiro-ministro escreveu carta ao BCE, CE e FMI a dizer que tem margem para diminuir contribuição de pensionistas, mas só se poupança resultar. Socialistas votam contra novo "imposto". Reunião com Governo acontecerá "em breve"

O PS criticou hoje o Governo por ter assumido compromissos externos sobre novas medidas de austeridade sem ter sequer consenso dentro do executivo. Na mesma ocasião, o secretário nacional socialista, João Ribeiro, apontou "para breve" a reunião com o Governo, apontando já o seu voto contra o novo "imposto sobre os pensionistas".

Na carta enviada à 'troika' pelo primeiro-ministro (e que foi divulgada publicamente pelo seu gabinete, durante o discurso ao País, na sexta-feira à noite, altura em que foi remetida ao secretário-geral do PS), Passos Coelho reconhece "que o valor global agora apresentado" de cortes na despesa e receitas "é superior ao necessário" para assim ter "uma margem para diminuir a contribuição de sustentabilidade do sistema de pensões".

Mas isto só acontecerá, admite o primeiro-ministro na carta, caso o Governo seja "bem sucedido na obtenção de poupanças estruturais noutras áreas, nomeadamente nos consumos intermédios do Estado".

João Ribeiro, que falava aos jornalistas na sede do partido, em reação às declarações proferidas pelo presidente do CDS e ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, no domingo, acusou Paulo Portas de ameaçar com moção de censura e de humilhar o primeiro-ministro.

"O dr. Paulo Portas desautorizou o primeiro-ministro e com uma ameaça pública. Desautorizou quanto à medida em concreto do imposto sobre reformados e pensionistas e quando considerou o Documento de Estratégia Orçamental (DEO) irrealista. Nos dois casos, estamos perante compromissos do Estado assumidos por escrito junto dos credores internacionais", apontou João Ribeiro.

Para os socialistas, o que se tem passado no interior do Governo desde sexta-feira passada, quando o primeiro-ministro comunicou ao país as novas medidas de austeridade no valor de 4,8 mil milhões de euros até 2016, "é muito grave".

Sobre a reunião pedida pelo Governo, João Ribeiro insistiu que "já houve uma resposta do ministro Poiares Maduro e há uma reunião prevista para breve". E concretizou: "Em breve anunciaremos, mas não é durante esta semana." O porta-voz socialista reiterou que o partido entende que o diálogo em torno das medidas de crescimento "deve ser feito no palco parlamentar", como já tinha escrito na carta ao novo ministro Adjunto.

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