PS acha "pouco plausível" que maioria chumbe audição

A vice-presidente da bancada socialista Inês de Medeiros considerou hoje "pouco plausível" que a maioria PSD/CDS chumbe pedidos de audição parlamentar do ministro Miguel Relvas sobre o caso que o envolve com o jornal Público.

"Considero pouco plausível que a maioria PSD/CDS venha a chumbar audições sobre este caso com o jornal Público, porque quem não deve não teme e porque o ministro Miguel Relvas deve um cabal esclarecimento sobre o que se passou a todos os portugueses, até para que o ministro exerça o seu cargo sem essa sombra de dúvida a pairar", declarou Inês de Medeiros à agência Lusa .

Em Díli, questionado pelos jornalistas à margem da visita de Estado de Cavaco Silva a Timor-Leste, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, defendeu que a Assembleia da República deverá aguardar pelas conclusões das averiguações da ERC sobre o caso que envolve o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, e o jornal Público.

Perante a posição de Luís Montenegro, Inês de Medeiros rejeitou em absoluto essa tese de condicionar as audiências parlamentares à realização de averiguações por parte da entidade reguladora e disse nem querer acreditar que a maioria PSD/CDS chumbe o pedido do PS para ouvir tão cedo quanto possível o ministro Miguel Relvas - um pedido que ainda hoje dará formalmente entrada no Parlamento.

Inês de Medeiros considerou que o argumento invocado pelo líder parlamentar do PSD "não colhe", porque ainda recentemente, no caso que envolveu a Antena 1 e o jornalista Pedro Rosa Mendes, a Assembleia da República realizou audições, enquanto, "em simultâneo", decorriam as averiguações da ERC.

"A Assembleia da República e a ERC têm competências diferentes e o Parlamento é o local onde se esclarecem os portugueses. A Assembleia da República não pode ficar limitada por causa de processos que correm na ERC, nem a ERC pode ficar limitada com os trabalhos que decorrem no Parlamento", advertiu a dirigente da bancada socialista.

Inês de Medeiros salientou ainda que as audições que decorrem na Assembleia da República "são públicas, o que não acontece com as averiguações da ERC".

No seu requerimento, o PS pretende ouvir no Parlamento, além do ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, a editoria jornal Público envolvida neste caso e a direção do jornal.

O conselho de redação do Público afirmou na sexta-feira que Miguel Relvas, ameaçou queixar-se ao regulador do setor, promover um "blackout" de todos os ministros ao jornal diário e divulgar, na Internet, dados da vida privada de uma jornalista, se fosse publicada uma notícia sobre o caso das secretas.

A notícia, da autoria de Maria José Oliveira, pretendia evidenciar "as incongruências" das declarações do ministro, na terça-feira, no Parlamento, sobre o caso das secretas, mas acabou por não ser publicada.

Numa nota posterior, a direção do jornal justificou a não publicação alegando não existir "matéria publicável", e garantia ainda que tinha tomado a decisão antes de conhecer as ameaças do ministro.

Mais tarde, o Público noticiou que Miguel Relvas pedira, nesse dia, desculpa ao jornal, depois de a direção ter feito um protesto por "uma pressão" do governante sobre a jornalista que acompanha o caso das secretas.

O pedido de desculpas noticiado pelo jornal verificou-se no mesmo dia em que o gabinete de Miguel Relvas refutou a denúncia do conselho de redação do Público.

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) anunciou que vai iniciar averiguações ao caso no início da próxima semana, revelando que recebeu "uma série de documentos" sobre o caso, enviados "por iniciativa própria" pelo ministro.

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