PS abstém-se na votação das moções de PCP e BE

A Comissão Política Nacional do PS aprovou na terça-feira à noite, por unanimidade, a decisão dos deputados socialistas de se absterem face às moções de censura ao Governo apresentadas pelo PCP e Bloco de Esquerda (BE).

A decisão sobre o sentido de voto do PS em relação às duas moções de censura do PCP e do BE, que serão debatidas na quinta-feira na Assembleia da República, mereceu um breve comentário do secretário-geral socialista, António José Seguro.

"Os portugueses sabem que podem contar com o PS, que é hoje um referencial de responsabilidade e estabilidade", declarou António José Seguro.

No final da reunião, o vice-presidente da bancada socialista José Junqueiro disse que a abstenção "significa a afirmação de uma alternativa responsável, que foi assumida por unanimidade por toda a Comissão Política Nacional do PS e que teve a participação dos deputados do grupo parlamentar".

"O PS está coeso e é hoje uma referência de estabilidade para o país, distinguindo-se da política de austeridade do Governo, que conduziu o país a desemprego e défice máximos, a uma economia estagnada e a um futuro sem esperança", disse.

Interrogado se o PS não corre o risco de ficar conotado com as medidas de austeridade que hoje, pela tarde, deverão ser anunciadas pelo ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, o vice-presidente da bancada socialista rejeitou.

"O PS não está de acordo com o percurso do Governo, nem nunca foi ouvido ou informado em nenhuma circunstância sobre essas medidas. O PS lamenta que assim seja, porque assim o Governo não está a ser parte da solução, sendo antes parte do problema", sustentou.

José Junqueiro disse ainda que a discussão política na reunião da Comissão Política Nacional do PS "foi muito participada" e houve "unanimidade".

"Não estamos em tempo de aventuras, mas em tempo de responsabilidade. Relativamente às moções da esquerda radical, o PS afirma-se como oposição responsável", acrescentou José Junqueiro.

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