Protestos ao som de "Grândola" não chocam ministra

A ministra da Justiça disse hoje, em Coimbra, não ficar chocada com os protestos - que são um apelo - feitos ao som de "Grândola Vila Morena", mas que a choca que "alguém não deixe que outra [pessoa] se exprima".

O protesto, com "respeito pelos direitos de terceiros, cantando canções de intervenção, em particular 'Grândola, Vila Morena', que tem, para nós, um simbolismo e está indissoluvelmente ligada à democracia, não me choca", afirmou Paula Teixeira da Cruz.

A ministra falava aos jornalistas, depois de se ter reunido, durante cerca de uma hora, numa unidade hoteleira de Coimbra, com a vice-presidente da Comissão Europeia (CE), Viviane Reding, que hoje e sexta-feira está naquela cidade.

"As pessoas cantarem 'Grândola, Vila Morena' significa que estão a apelar, e é preciso entender esses apelos, neste momento difícil, neste momento duro", acrescentou a ministra, afirmando que "preocupação" lhe dá "toda a situação em que o país foi deixado", isso é que a preocupa, sublinhou.

"As manifestações são legítimas, tão legítimas como o direito de [as pessoas] se exprimirem", sustentou ainda Paula Teixeira da Cruz.

Depois de se afirmar da "geração de 'Grândola, Vila Morena'", a governante considerou que "esta, como outras canções, fazem parte de um património cultural que não é exclusivo de ninguém".

A vice-presidente da CE, que também participava na conferência de imprensa, pronunciou-se igualmente sobre o assunto, afirmando que "feliz é o país que protesta com uma canção", em vez de o fazer "com violência nas ruas".

Durante o encontro entre a dirigente da CE e a governante portuguesa, foram debatidos "temas comuns à Europa, no âmbito do direito", particularmente relacionados com os direitos humanos, revelou Paula Teixeira da Cruz.

Sublinhando a luta da vice-presidente da CE, na defesa dos direitos humanos, a ministra da Justiça enalteceu esse combate, que assume ainda maior importância, numa "altura em que a Europa está propícia a restrições de direitos humanos".

A democracia é, normalmente, tida como "um dado adquirido", mas, "muitas vezes, não é assim", alertou Paula Teixeira da Cruz, considerando que "Portugal, não tem, felizmente, este problema".

Viviane Reding visitou, durante a manhã hoje, a Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, deslocando-se, ao final da tarde, ao Museu Nacional Machado de Castro, para uma receção oferecida pelo presidente da Câmara de Coimbra, João Paulo Barbosa de Melo.

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