Proposta de Cavaco é "a mais difícil, mas a melhor"

O ex-ministro das Finanças Bagão Félix afirmou que a proposta apresentada hoje pelo Presidente da República, de um "compromisso de salvação nacional" entre PSD, PS e CDS, "é arriscada de concretizar, a mais difícil, mas a melhor".

António Bagão Félix qualificou a intervenção de Aníbal Cavaco Silva ao país, na quarta-feira à noite, como "muito responsável" e considerou que a hipótese aventada de eleições antecipadas "era a pior de todas" que iria fazer o país "retroceder numa situação de emergência nacional".

O ex-governante disse que a concretização de um Governo PSD/CDS/PS exige "compromisso nas matérias essenciais e patrióticas, e não consenso".

Esta possibilidade, num período em "que estamos à beira do precipício" é possível, tanto mais que "os três partidos já disseram que sim", rematou Bagão Félix.

"À 'troika' externa devemos responder com uma 'troika' interna, eu sei que não é fácil, provavelmente é muito difícil", declarou.

"Esta solução é a mais difícil, mas a nelhor para o país, as outras soluções aparentemente mais expeditas e fáceis, mas são piores para o país, designadanente a antecipação de eleições para agora", sublinhou.

Bagão Félix referiu que, com esta intervenção, "o Presidente da República toma o comando da situação como o mais alto magistrado da nação que é, e qualquer falhanço desta solução de compromisso em nome do patriotismo e em nome dos interesses patrióticos estratégicos, essa solução passa a ser da responsabilidade dos partidos e transfere o ónus do eventual falhanço para os partidos".

Para Bagão Félix, esta é "a fase mais crítica" do programa de assistência económica e financeira, apontando-a como "o pico do período de ajustamento quer do ponto de vista das necessidades de financiamento, como das avaliações e ainda o Orçamento [do Estado] para 2014".

"O Presidente da República propôs um caminho que é arriscado, a possibilidade de um compromisso dos três partidos que assinaram ou estão comprometidos com o programa de assistência económica e financeira", mas os partidos devem "ultrapassar muitas divergências táticas de curto prazo e de pormenor, e se concentrassem nos pontos essenciais, num compromisso a médio a prazo que tivesse o imperativo nacional que é isso que os portugueses esperam", acrescentou.

Relativamente à hipótese de realização de eleições intercalares, Cavaco Silva "foi claro quanto às consequências", nomeadamente a aprovação do próximo orçamento, as avaliações da troika, os sacrifícios que se podiam perder, e até o investimento".

Quanto ao atual Governo, Bagão Félix disse que "está fragilizado e perdeu parte das suas capacidades originárias".

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