Prioridade é assegurar acesso de empresas a financiamento

O primeiro-ministro, Passos Coelho, apontou hoje como prioridade este ano assegurar o acesso das empresas ao financiamento, defendendo "estratégias concertadas" entre o Estado, os privados e estes entre si.

"Muitas das empresas tiveram um processo de ajustamento ao longo deste tempo e tiveram dificuldade em vingar. Uma vez que essa grande fase de ajustamento foi feita, como se vê pelo nível de desemprego e pelo número de empresas que não resistiu, o que queremos é que, daqui para a frente, as empresas não tenham que fechar as portas simplesmente porque não têm acesso a financiamento", afirmou Passos Coelho na cerimónia de tomada de posse da nova direção da Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP), em Gaia.

Admitindo que o problema de acesso a financiamento por parte das empresas portuguesas "é mais grave do que, em média, as empresas na Europa têm", Passos Coelho afirmou que "a maior parte dos empresários portugueses ou não têm capital suficiente ou não arriscam o suficiente do seu próprio capital".

Como consequência, "as suas empresas estão subcapitalizadas e dependem excessivamente do financiamento bancário", numa altura em que os "modelos mais defensivos" dos bancos dificultam o acesso ao financiamento.

"Este é um dos grandes problemas a que temos de dar resposta durante este ano. Já preparámos alguns instrumentos para ajudar a recapitalizar as empresas e há alguns fundos de natureza regional que têm essa vocação, mas é preciso trabalhar noutros instrumentos e rapidamente", sustentou Passos Coelho.

Como exemplos, o primeiro-ministro avançou a necessidade de permitir a "empresas que individualmente não têm possibilidade de aceder a mercados de capitais de poderem encontrar um mercado líquido para emissões obrigacionistas" e a importância de dinamizar o capital de risco.

"Temos de olhar para o capital de risco de outra maneira, quer da parte pública, quer da parte privada. Os empresários têm de abrir mão de uma parte da empresa e saber conviver ou com o capital de risco, ou outros investidores que queiram investir na sua empresa, e deixar para trás a velha mentalidade de 'ou é minha ou não é de ninguém", afirmou.

Considerando que os empresários portugueses "estão cada vez mais abertos a essas mudanças", o primeiro-ministro admitiu que, também da parte do Estado, é indispensável saber por no terreno os mecanismos novos criados para a recuperação das empresas.

Neste contexto, Passos Coelho defendeu um "compromisso daqueles que estão na esfera económica, política e empresarial de, olhando para a América Latina, a África, o Oriente e o mundo, ter estratégias concertadas envolvendo o Estado e os privados e envolvendo os próprios privados entre si".

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG