Primeiro-ministro devia ouvir PS "mais vezes"

O líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, defendeu hoje que o primeiro-ministro e o Governo já deviam ter "ouvido mais vezes" as opiniões socialistas, mas sustentou que, agora, "não vale a pena chorar" sobre "leite derramado".

" margem da Universidade de Verão do PS, que decorre em Évora, Carlos Zorrinho falava aos jornalistas a propósito do encontro realizado, na quinta-feira à noite, entre o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e o líder socialista António José Seguro.

Escusando-se a adiantar o conteúdo da reunião, que durou quase hora e meia, na residência oficial de São Bento, Carlos Zorrinho qualificou o encontro, contudo, como "normal".

"Não considero um sinal de aproximação. Considero normal e que devia ocorrer mais vezes, que o primeiro-ministro queira ouvir as opiniões do PS", afirmou.

E até, "provavelmente, se as tivesse ouvido mais vezes e, sobretudo, se as tivesse ouvido antes de definir as políticas, não teríamos chegado ao ponto em que agora estamos", sublinhou.

O líder parlamentar socialista aludiu aos "três mil milhões de euros de derrapagem orçamental" e aos "15,7 por cento de desemprego", em julho, revelados hoje pelo Eurostat, afiançando que "tudo isso podia ter sido evitado".

Carlos Zorrinho lembrou também que, no Alentejo, se "usa muito" a expressão "chorar sobre leite derramado", para defender que esta não é a altura para a colocar em prática, mas sim para definir "outro caminho" para o país.

"Não vale a pena chorar. É preciso é ver porque é que o 'leite se derramou', como é que ele pode 'não se derramar mais' e como é que podemos alterar as políticas". E o PS já o disse várias vezes, há outro caminho", argumentou, garantindo que esse é o motivo central desta Universidade de Verão socialista.

O "caminho" que o PS preconiza para tirar o país da crise, esclareceu, assenta em "mais economia, mais financiamento para as empresas, mais inteligência fiscal, por exemplo no IVA da restauração".

"O corte [do] custe o que custar não resolveu nada. Porque é que nós devemos ter a obsessão do corte, se o corte já mostrou que não é uma solução?", questionou.

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