Presidente da antiga SLN reeleito grão-mestre do GOL

Fernando Lima conseguiu evitar uma segunda volta. Baixou ligeiramente o resultado de 2011, mas derrotou Madeira Castro que ainda assim conseguiu quase um terço dos votos

O atual grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL) foi esta madrugada reeleito como líder da mais influente obediência maçónica em Portugal. Quando faltam apenas apurar seis lojas (de um universo superior a 80), Fernando Lima conta com 56,5% dos votos, números que indicam que será eleito à primeira volta.

Fonte do GOL confirmou ao DN os resultados que ditaram que a lista encabeçada pelo economista Daniel Madeira de Castro (Loja Acácia) não foi além dos 29%. Já Francisco Carromeu (Loja Madrugada) terá ficado pelos 14,5%. O escrutínio tem agora de ser confirmado pelo Tribunal Maçónico para ser oficial, o que se trata de uma mera formalidade. Ou seja: Fernando Lima será grão-mestre até 2017.

Fernando Lima lidera o GOL desde 2011, tendo sido eleito no primeiro mandato com uma vantagem ligeiramente superior: 58% dos votos. Nos últimos três anos não tem tido a vida facilitada com a divulgação de uma lista com quase dois mil maçons do GOL na Internet e com alguns "irmãos" a criticarem o silêncio e a pedirem a expulsão do ex-ministro Miguel Relvas, embora este se tenha afastado há muito das reuniões e até da obediência.

O gestor foi também criticado internamente por ser o presidente da Galilei, SGPS (ex-Sociedade Lusa de Negocios, a holding que controlava o BPN). Reconhecido no mundo empresarial, Fernando Lima é membro do Conselho Consultivo da Confederação Industrial Portuguesa, que é liderada por um maçom membro de outra obediência: António Saraiva (mestre na GLLP). Numa vida profissional ligada às construtoras, Fernando Lima é também presidente do Conselho de Administração da Abrantina e entre 1994 e 2000 foi presidente da Engil, SGPS.

Com este resultado foram também reeleitos como grão-mestres adjuntos Cipriano Oliveira (Loja Humanitas) e Luciano Pereira (Loja Vitória).

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...