Prendas de Godinho eram uma "pinderiquice corruptiva"

Advogado do sucateiro de Ovar iniciou alegações finais. Artur Marques diz que o seu cliente foi alvo de uma "impiedosa perseguição"

O advogado de Manuel Godinho acusou as autoridades judiciárias e fiscais de "incompreensível e impiedosa perseguição" do sucateiro ainda hoje, por força das medidas de coação em vigor, "confinado ao desterro" da freguesia onde reside, Esmoriz, o que contribuiu para o "esboroamento" do seu universo empresarial, traduzido na extinção de 146 postos de trabalho. Já a inclusão da lista de prendas natalícias como prova de contrapartidas foi classificada como uma "pinderiquice corruptiva"

Artur Marques, que falava, esta quarta-feira de manhã, nas alegações finais do processo Face Oculta, considerou que a acusação do Ministério Público (MP), que atribuiu ao empresário de Ovar a prática de seis dezenas de crimes, "nunca teve fôlego para correr, nem pernas para andar", mas "danificou de forma irrecuperável o bom nome dos arguidos".

O defensor de Manuel Godinho, Maribel Rodrigues (secretária do empresário de Ovar e pessoa de grande confiança pessoal) e Hugo Godinho (sobrinho, um dos braços direitos no terreno), clamou logo no início das 109 páginas pela absolvição.

Isto porque os indícios imputados de associação criminosa, burla, furto, falsificação de notação técnica e corrupção ativa "não preenchem os requisitos típicos de nenhum dos crimes", classificando como "excesso a roçar fantasia" a intenção do MP "oferecer 16 anos de cadeia e aos demais arguidos o brinde de prisão efetiva".

O processo Face Oculta, sustentou Artur Marques, "jamais" teria a dimensão pública "sem figuras de proa" envolvidas pelo MP, que acabaram por "contaminar" o julgamento.

O advogado reduziu a "uma expressão catita" a imputação de Manuel Godinho liderar uma "rede tentacular" que "não tem virtualidade para preencher os requisitos de associação criminosa".

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