PR exige diálogo com o PS e parceiros sociais

Um dia depois da greve geral e em pleno impasse negocial no Orçamento, o Presidente da República quis vincar um alerta ao Governo: é decisivo "criar um ambiente social favorável", não só através de uma "repartição equitativa dos sacrifícios e do apoio aos mais desfavorecidos", mas também por um "diálogo frutuoso entre governo e o maior partido da oposição e o governo e os parceiros sociais".

Para que a austeridade (necessária) tenha resultados, o chefe de Estado deixa o aviso: "esta agenda merece uma atenção muito especial", até porque esse ambiente de diálogo, disse, tem "uma influência muito decisiva sobre o crescimento económico". Melhor dizendo, "a correcção dos desequilíbrios orçamentais é necessária, mas pode não ser decisiva" para a recuperação do país.

Num discurso na COTEC - Associação Empresarial para a Inovação, o Presidente vincou a necessidade de se lançarem as reformas estruturais previstas no Memorando, mas voltou a defender que é fundamental "a mobilização dos agentes económicos" e que isso "pressupõe" a resolução do problema da escassez de crédito bancário disponível para as empresas". Problema esse que a troika não reconheceu existir, tão pouco o primeiro-ministro.

Outra divergência que se acentua entre Presidente e chefe de Governo tem que ver com a resolução da crise do euro. Hoje, Cavaco voltou a falar da necessidade de maior intervenção do BCE na compra de dívida dos países do euro, acrescentando que "não faz sentidoa dúvida" (alemã) sobre os potenciais efeitos inflaccionistas de tal medida. Cavaco diz que há estudos a demonstrar o contrário e que só o desconhecimento pode permitir tais reservas. Reservas que, uma vez mais, Passos Coelho já disse ter.

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