Portugal vai cumprir o seu programa "custe o que custar"

O primeiro-ministro afirmou na terça-feira que Portugal vai cumprir o seu programa de assistência económica "custe o que custar", respondendo a quem pede a sua renegociação e aos "analistas" que dizem que o País "vai falhar".

Durante a apresentação de um livro com contributos para a revisão do programa do PSD, num hotel de Lisboa, Passos Coelho reclamou que o Governo PSD/CDS-PP está "a fazer aquilo que é preciso, não apenas para que Portugal deixe de ter défices, mas também para que faça as chamadas reformas estruturais".

O primeiro-ministro disse querer "frisar muito bem este ponto" por considerar que está a aparecer muita gente "com esta ideia de que Portugal vai falhar", acrescentando: "Deixem-me dizer a todos esses analistas, que deviam ser bem informados, que eu nunca desistirei de cumprir o programa que outros negociaram para Portugal e que os portugueses merecem que seja bem executado".

Passos Coelho respondeu depois a quem pede a renegociação do Programa de Assistência Económica e Financeira a que Portugal está submetido, voltando a rejeitar essa renegociação.

"Quem quer cumprir aquilo que foi acordado não começa por dizer que quer negociar tudo, que quer mais tempo, que quer mais dinheiro. Esse é um filme que não é o nosso", disse, completando: "Nós, simplesmente, como gente adulta e madura, vamos cumprir o que lá está, custe o que custar. E custa, custa muito, não haja dúvida quanto a isso, mas vamos cumprir".

Perante uma plateia de sociais-democratas, o primeiro-ministro reforçou esta sua posição, argumentando que se o Governo se pusesse agora "a chorar" na tentativa de renegociar os prazos ou as verbas do programa acordado com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, então "o problema para o PSD não era perder as próximas eleições", era Portugal descredibilizar-se e perder "as próximas duas décadas".

Por outro lado, Passos Coelho reclamou que o Governo está a conseguir resultados positivos quanto ao défice estrutural e quanto ao défice externo e que diminuiu já as necessidades de financiamento externo de Portugal, o apontou como um bom indicador para o objetivo de regressar aos mercados em 2013.

"Precisamos de pouco. Quebrámos um enguiço que durava há mais de dez anos. Portanto, não há razão para desconfiar de nós", sustentou, referindo-se à diminuição do défice externo.

O primeiro-ministro admitiu, contudo, que o crescimento económico, que permite "pagar as dívidas passadas", é uma condição igualmente importante para esse regresso aos mercados. "Esse será o grande teste que iremos enfrentar", considerou.

Quanto ao défice estrutural, Passos Coelho apontou dados do Instituto Nacional de Estatística segundo os quais este diminuiu "quatro pontos e meio" em 2011, de mais de 11 por cento para 6,9 por cento, o que classificou como uma "proeza" que mais "nenhum país europeu" conseguiu.

Quanto ao défice externo, referiu que o Banco de Portugal prevê que este seja reduzido para 1,6 por cento este ano e tenha "pela primeira vez um resultado positivo" em 2013, o que, no seu entender, "não tem sido valorizado".

O primeiro-ministro insistiu que a prioridade da sua governação deve ser "libertar os portugueses do excesso de dívida e de défice", porque essa é uma condição para o crescimento económico: "Só voltaremos a crescer em Portugal e a criar emprego no dia em que ajustarmos o nosso nível de vida interno às nossas possibilidades. É isso que estamos a fazer. E estamos a fazê-lo com dor, não é fácil".

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