"Portugal não é o retângulo que definha"

O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, afirmou hoje que "Portugal não é o retângulo ibérico que definha, mas é o mundo que os portugueses constroem".

Jardim falava no âmbito da cerimónia de homenagem aos emigrantes madeirenses, integrada no programa de comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, que pela primeira vez se realizou junto ao monumento à diáspora na marginal do Funchal, organizada pelo Representante da República na Madeira.

O governante declarou que "para compreender Portugal temos de nos consubstanciar no português andarilho" que fez da emigração a "resposta para as suas ambições legítimas no mundo para onde parte, mesmo em tempo de estratégias continentais decadentes".

Por seu turno, o Representante da República para a Madeira, Ireneu Barreto, afirmou que aqueles que emigram fazem-no sempre com "mágoa e tristeza", mas são um exemplo e estímulo, em tempo de crise, para ajudar a superar as dificuldades".

"Mesmo que se entenda que sempre fez parte do código genético do povo português partir e descobrir, de buscar algo melhor, de ser dos sete mares andarilho, a verdade é que quando se emigra é, em regra, com mágoa e tristeza", disse Ireneu Barreto.

Junto da estátua ao emigrante na marginal da capital madeirense, o Representante sublinhou que a "energia, vitalidade e talento" dos emigrantes nos países de acolhimento "devem servir de exemplo e mesmo de estímulo para, nestes tempos de crise, superarmos as nossas dificuldades".

Ireneu Barreto considerou também que "está ainda por avaliar quanto do progresso do nosso país, em geral, e da Região, em particular, se deve ao contributo dos nossos emigrantes", opinando que "será significativo e nem sempre devidamente valorizado".

Esta cerimónia ficou ainda marcada pelas críticas ao desrespeito sobre como os emigrantes são tratados pelos serviços da Alfândega no Aeroporto da Madeira por parte do responsável do Clube Social das Comunidades Madeirenses.

"Quero alertar para uma situação que vem ocorrendo na Alfândega do Aeroporto, na chegada de voos, principalmente da África do Sul e Venezuela. Centenas de emigrantes queixam-se da abordagem de vários funcionários, a forma déspota, como são tratados na hora que os fazem abrir a bagagem", afirmou Olavo Manica.

Segundo este representante das comunidades, alguns destes que vieram de férias à Madeira sentiram-se como "criminosos" e afirmaram não ter intenção de regressar.

Olavo Manica defendeu ainda que "urge fazer uma espécie de 'lobby' junto dos nossos emigrantes que ainda possuem reservas monetárias que podiam ser canalizadas para investimentos na região" de poupança, mas logicamente terá que haver regras claras e incentivos ao investimento, como havia antes".

"Toca aos Governos da República e Regional reunir esforços para cativar novos investimentos dos quais bem precisa o pais", frisou, reivindicando igualmente a criação do Museu do Emigrante na Região.

Usou ainda da palavra o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, Miguel Mendonça, que assumiu ser também "filho de emigrantes", opinou que "nos anos 30 a emigração era um ato de coragem, mas hoje é um ato de inconformismo".

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