Portugal é "mercado seguro" para empresas espanholas

Portugal é um "mercado seguro" para Espanha e será "das últimas hipóteses a considerar" se as empresas espanholas tiverem de "desinvestir" do exterior, disseram à Lusa especialistas em questões ibéricas.

"Portugal tem com Espanha uma relação muito privilegiada em termos comerciais, de interdependência económica, mas essa interdependência tem por trás uma relação de grande fidelidade", disse à Lusa o presidente da Fundação Luso-Espanhola, José António Silva e Sousa, para quem "o mercado português tem sido um mercado seguro para o espanhol, e vice-versa".

Silva e Sousa referiu que "o investidor espanhol é cauteloso e aprecia segurança e lealdade" e disse estar "absolutamente convicto de que, a pensar num desinvestimento, Portugal será a última das hipóteses a ser considerada".

"Os problemas que surgem em algumas partes da América Latina [com as nacionalizações de ativos espanhóis na Bolívia e na Argentina] são casos que em Portugal, sinceramente, não vejo hipótese de acontecer", acrescentou.

Enrique Santos, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, disse que as empresas portuguesas continuam interessadas no mercado espanhol.

"Tem havido maior curiosidade por parte das pequenas e médias empresas portuguesas, sobretudo na zona Norte, em instalar-se em Espanha, para aproveitar um mercado quatro ou cinco vezes maior. Pelo contrário, da parte da Espanha para Portugal, não tem havido mais entradas de empresa espanholas", afirmou.

Isso deve-se, no entanto, a uma "saturação do mercado português", disse Enrique Santos.

Pouco depois de ser nomeado primeiro-ministro, José Sócrates disse, em 2005, que as três prioridades do seu Governo no exterior seriam "Espanha, Espanha, Espanha".

"Essa promessa manifestamente não foi cumprida", disse José António Silva e Sousa. "Não houve nenhum sinal indiciador de esforço, de revitalização do mercado, houve só uma consolidação de uma relação que já existia. Isso transparece, por exemplo, na ausência de cimeiras ibéricas desde 2009".

O presidente da Fundação Luso-Espanhola acrescentou, contudo, que "os empresários portugueses e espanhóis já encaram o mercado ibérico como um mercado único, não um mercado de internacionalização mas um mercado de expansão natural, que pode servir de prancha para entrar em realidades mais distantes".

A esse respeito, Enrique Santos menciona que as empresas portuguesas e espanholas podem recorrer a parcerias para "poder concorrer em outros mercados" emergentes na Ásia, em África ou na América Latina.

"Para competir com empresas de outros países, é preciso uma grande estrutura e, com poucas exceções, as empresas portuguesas não as têm", afirmou o presidente da Câmara de Comércio. Para lá da vantagem das economias de escala, estas parcerias permitem a empresas portuguesas e espanholas partilhar o 'know how' em relação a mercados como a África lusófona ou o Brasil e outros países da América Latina.

A XXV Cimeira Luso-espanhola, que decorre na próxima quarta-feira, no Porto, terá entre os objetivos centrais reatar a proximidade nas relações ibéricas e intensificar os laços Portugal/Espanha. Desde 2009 que não se realizavam cimeiras bilaterais entre Portugal e Espanha.

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