"Portugal deve negociar reestruturação da dívida"

O deputado do PS Pedro Nuno Santos disse sexta-feira que Portugal deve negociar a reestruturação da dívida com a 'troika', afirmando que toda a gente, mesmo na direita, o defende, mas não usa a palavra renegociação.

Sexta-feira, em Santa Maria da Feira, durante a sessão de abertura do fórum Socialismo 2012, que marca a rentrée do Bloco de Esquerda, o deputado do PS Pedro Nuno Santos afirmou que "com a resposta política que está a ser dada ao país, não haverá alternativa à reestruturação da dívida".

"Toda a gente, mesmo na direita, defende A renegociação ou reestruturação. Quando se pede mais tempo, o que se está a pedir é uma renegociação dos termos do memorando. Não usam nunca a palavra não pagar ou reestruturar, mas gostavam de pagar menos juros, gostavam de pagar menos", sustentou.

Partilhando a mesa com o líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Luís Fazenda, e com o coordenador do partido, Francisco Louçã, na plateia, o deputado socialista disse defender que "a reestruturação seja negociada com a 'troika' e não, obviamente, contra a 'troika'", tendo ainda dito achar, atualmente, que "foi um erro a entrada no Euro".

"Nenhum país fica ligado às máquinas quando reestrutura a sua dívida. Um país fica sim ligado às máquinas senão crescer. E quem nos está a ligar às máquinas e a impedir qualquer possibilidade de Portugal regressar aos mercados é, paradoxalmente, a política que está a ser imposta ao país", condenou.

Na opinião de Pedro Nuno Santos, quando à esquerda se fala na reestruturação da dívida, não se está a defender que o país seja desonesto, mas "simplesmente que Portugal, no quadro atual e com a trajetória que tem sido imposta, não tem condições para fazer face aos compromissos".

"Reestruturações e 'defaults' são mais comuns entre Estados do que aquilo que nos têm vendido. Não há país europeu que não tenha reestruturado em determinado momento da sua história a sua dívida", acrescentou.

Em dezembro de 2011, Pedro Nuno Santos esteve no centro da polémica quando, num jantar de Natal do PS de Castelo de Paiva, disse que se estava a "marimbar para o banco alemão que emprestou dinheiro a Portugal nas condições em que emprestou".

Durante o discurso houve tempo ainda para falar de possíveis coligações à esquerda nas autárquicas, considerando que este género de eleições "são laboratórios de trabalho em conjunto e devem servir também para, distanciados das disputas mais ideológicas e nacionais, poder experimentar o trabalho em conjunto".

O socialista garantiu ainda que "não haverá nunca nenhuma cisão no PS".

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