Portas quer viver num "país normal" depois de maio

Num discurso de 41 minutos, sem novidades, Paulo Portas sublinhou a "nova fronteira" que é 17 de maio de 2014. Para o recém-eleito líder do CDS, nesse dia "começa o princípio do direito a viver normalmente, a viver num país normal".

Logo aqui Portas fez questão de saudar a delegação socialista convidada, encabeçada pelo secretário nacional João Proença (que mereceria ainda o elogio de ter sido "importante" para o processo de ajustamento, referindo-se assim ao papel do ex-secretário-geral da UGT, que assinou nessa qualidade o acordo de concertação social). E apontou a necessidade de um "diálogo construtivo" com o PS, com um apelo de tréguas nos próximos meses. "Ajudem Portugal - não é o Governo, é o país - a terminar o programa", desafiou. "Terminar o resgate é mais importante que ser popular."

"Ninguém está a pedir ao PS que deixe de ser partido de oposição", insistiu. "É uma pacificação que vos peço em nome do interesse nacional." Curiosamente, mais à frente, Portas sublinhou que "não se pode voltar atrás" e "prometer tudo e o seu contrário", uma expressão que tinha usado na véspera para criticar o líder do PS, António José Seguro.

Depois do ajustamento, vem o tempo de crescimento económico, defendeu o presidente centrista, enumerando vários aspetos da "viragem económica" e apresentando mais de uma dezena de exemplos de propostas, reformas e medidas que se colocam no horizonte da "normalidade" que Portas deseja para o pós-troika. O líder do CDS apenas apontou exemplos de áreas que os ministros centristas tutelam.

Depois de encerrado o congresso, o secretário nacional do PS, João Proença, preferiu notar aos jornalistas que Portas "não falou em nome do Governo, só falou dos ministros do CDS, das políticas do CDS". E recusou que os socialistas acompanhem as tréguas pedidas, quando está em causa "o desrespeito da Constituição".

Por sua vez, Passos Coelho - que esteve presente na qualidade de presidente do PSD - reconheceu que "o PS não está afastado do programa cautelar", apesar de em dezembro ter afirmado numa entrevista que a assinatura dos socialistas seria dispensável.

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