Portas quer baixar IRS até 2015

(ATUALIZADA) Paulo Portas transformou ontem à noite a apresentação da sua moção ao próximo congresso do CDS (6 e 7 de julho, na Póvoa de Varzim) na apresentação de um verdadeiro programa de Governo para a segunda metade da legislatura. Prioridade principal definida pelo líder centrista: pôr o País e crescer, baixar o desemprego - e, muito em concreto, baixar o IRS.

Assumindo na sua moção - intitulada "Responsabilidade identidade" - que o aumento de impostos foi causa de "justificada deceção" no eleitorado do CDS, Portas disse - por mais do que uma vez - que "é obrigação do CDS, trabalhar, no quadro da maioria, para tornar possível, nesta legislatura, uma inversão de tendência no IRS". Como "de resto - acrescentou - começa a fazer-se no IRC".

Grande parte do discurso de Portas - cerca de 1h05m - foi dedicado a explicar o papel do CDS na coligação de Governo. O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros fez questão de recordar 25 medidas onde o CDS deixou a sua "impressão digital". "Dificilmente o CDS conseguiria, sozinho, levá-las a cabo; mas sem o CDS no Governo, muitas dessas medidas não teriam, a mesma importância de agenda ou a mesma certeza de decisão", afirmou. Mas também verbalizou outras - o aumento da TSU que chegou a estar previsto para o OE 2013 - que não avançaram devido à "pressão legitima e ordenada" feita com "maior atrito" para "evitar decisões" que no seu entender punham em causa "ideias do partido ou interesses públicos relevantes". Para quem teme que o CDS desapareça na coligação, deixou uma garantia: a coligação "nunca será uma fusão".

Segundo voltou a sublinhar, todas as reformas futuras deverão ser conduzidas "no quadro constitucional vigente". Implicitamente, admitiu que é intolerável o Governo voltar a ser confrontado com um chumbo no Tribunal Constitucional de um Orçamento de Estado: "Não deve criar-se a ideia, perigosa e errónea, de que o centro-direita não é capaz de o fazer [governar no "quadro constitucional vigente"] . "Isso teria consequências imprevisíveis na possibilidade de alternância em Portugal."

Portas falou também dos próximos desafios eleitorais: Autárquicas, Europeias e Legislativas. Sobre as primeiras, afirmou que o objetivo do CDS é aumentar o número de eleitos; quanto às Europeias, disse que até ao final do ano definirá como se apresenta - mas dando várias sinais de que o CDS avançará numa candidatura própria, sem coligação com o PSD. Das legislativas nada referiu, exceto que até lá haverá outro congresso nacional do partido.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG