Portas, o pragmático, garante que "Portugal não é a Grécia"

Vice-primeiro-ministro disse preferir o "pragmatismo" à "utopia" e, após algumas farpas à Grécia, garantiu: "Não sou grego, não sou alemão, sou português e europeu".

O vice-primeiro-ministro disse hoje ser "essencialmente pragmático e não utópico". Na conferência promovida pela revista britânica The Economist, Paulo Portas não se poupou nas indiretas ao governo grego de Alexis Tsipras, dizendo: "Não acho desejável que a ação política das nações seja baseada na utopia".

Paulo Portas afirmou que "Portugal fez parte do consenso no Conselho Europeu" e que espera um "final feliz" da situação grega, mas destacou que "Portugal não é a Grécia". O vice-primeiro-ministro fez até uma comparação entre os dois países: "A nossa situação é diferente. Portugal teve um resgate, a Grécia teve dois e vai a caminho de um terceiro.; eles têm troika, nós não".

Portas destacou que acentuar estas diferenças não é "ser inimigo da Grécia, mas ser amigo de Portugal". Lembrando que sempre foi um crítico da influência excessiva da troika e dos burocratas, Portas garantiu: "Não sou grego, não sou alemão, sou português e europeu".

Embora admita que Portugal "não está na situação ideal", Portas destacou a "trajetória positiva" do país. Para o também líder do CDS, os "anos de chumbo, da recessão, ficaram lá para trás" e foram aproveitados para "reformas que preparassem o país" para os desafios globais.

O vice-primeiro-ministro lembrou ainda os "progressos" que o governo conseguiu "no combate à fraude e à evasão fiscal". E lá vieram novamente as farpas à Grécia. "Sou testemunha de como negociámos com a troika. Ou devemos chamar-lhes instituições anteriormente conhecidas como troika?", questionou, numa alusão à recusa do governo helénico em admitir negociar com a troika.

E não ficou por aqui. Paulo Portas até disse não fazer "comentários sobre a base tributária de outros países", mas a Grécia pairou sempre como ponto de comparação de um Portugal que "fez a reforma da fatura obrigatória e alterou a cultura cívica" de não cumprir com as obrigações tributárias.

Após ontem ter sido conhecida a subida da dívida, Portas acredita que "Portugal terá em 2015 uma trajetória descendente na sua dívida pública".

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