Portas agradece aos portugueses pelos sacrifícios. E classifica o programa como "social"

Líder do CDS-PP lançou farpas ao PS, partido que "nunca pediu desculpa aos portugueses, nunca agradeceu aos portugueses terem superado a crise que criou e deixou".

O vice-primeiro-ministro e líder do CDS-PP agradeceu hoje aos portugueses pelos sacrifícios que permitiram ultrapassar a "etapa da 'troika'" e colocar o "resgate" para trás, prometendo uma legislatura social, ao apresentar o programa eleitoral, em Lisboa.

"Este programa é marcadamente social", vincou Paulo Portas, num hotel lisboeta, reiterando críticas à anterior governação socialista, dirigida por José Sócrates, "responsável pelo resgate, pela 'troika', pelo memorando e pela austeridade que o mesmo tornou inevitável", partido esse que, segundo o presidente centrista, "nunca pediu desculpa aos portugueses, nunca agradeceu aos portugueses terem superado a crise que o PS criou e deixou".

"Tivemos de evitar a falência do Estado, procurando preservar, em todas as áreas, os mais desprotegidos. Os portugueses superaram a etapa da 'troika', com pés assentes na terra. De forma progressiva, tendo em atenção a prudência orçamental, a próxima legislatura será, obviamente, social, desde que contenha os elementos de confiança e de competitividade que permitem criar riqueza e fazer crescimento da economia", congratulou-se.

Antes, Portas dedicou "uma única palavra - 'obrigado' - aos portugueses", os quais "fizeram sacrifícios para tirar Portugal da bancarrota e salvaram o bem-comum de todos contra uma insolvência iminente".

O dirigente democrata-cristão salientou "três pilares do programa: a recuperação dos rendimentos, a sensibilidade social e a moderação das soluções face a outras já conhecidas", referindo-se, neste último caso, às medidas sobre sustentabilidade da Segurança Social quando comparadas com as do PS.

Portas citou a promessa de "elevar o quociente familiar no IRS de 0,30 para 0,50 -semelhante ao melhor na Europa, o francês", de "repor o abono de família que outros retiraram - quarto e quinto escalões -" e de "estimular fortemente a contratação de desempregados", com "prémio à empresa por empregar e ao trabalhador um ganho pela sua ativação", a fim de "chegar mais depressa à média europeia".

"O plano de recuperação dos rendimentos é gradual, etapa por etapa. Outros prometem tudo num instante. Os portugueses bem sabem que mais vale um pássaro na mão do que dois a voar. Melhorar o rendimento gradual, mas firmemente, é possível. Prometer tudo a todos, num instante, é simplesmente impossível", condenou ainda o "n.º 2" por Lisboa da coligação Portugal à Frente.

Portas destacou ainda várias das medidas de cariz social como o "alargamento do pré-escolar", "universalização do médico de família", o apoio à maternidade, por exemplo em futuras pensões de mães de família ou a "liberdade de escolha na educação".

"Vivemos antes um tempo de emergência social e para isso tivemos um plano. Viveremos agora um tempo de desenvolvimento social, que é diferente. No fundo, é um Estado Social viável que vai chegar a mais portugueses, com um serviço de maior e melhor proximidade. Não é o Estado que faz tudo, mas, com a economia social, vai fazer mais e vai fazer melhor, a chegar a mais portugueses", garantiu.

Exclusivos