Poiares Maduro diz que manifesto é "irresponsável"

O manifesto que defende a reestruturação da dívida é "uma total irresponsabilidade", especialmente quando o país se prepara para voltar plenamente aos mercados, disse hoje em Madrid Miguel Poiares Maduro.

"Esse manifesto e a simples circunstâncias de se falar de reestruturação da divida é total irresponsabilidade. É uma irresponsabilidade ainda mais num momento em que o país se prepara para regressar plenamente aos mercados", disse o governante a jornalistas portugueses em Madrid.

"A forma responsável de reduzir o peso da dívida em Portugal é fazer o que o Governo tem vindo a fazer: consolidação orçamental, redução de taxas de juro em virtude dessa mesma consolidação orçamental, estender as maturidades da divida", afirmou.

Para conseguir esses objetivos, disse, a "credibilidade internacional é muito importante" e debates sobre reestruturação da dívida "reduzem" essa credibilidade.

Poiares Maduro falava aos jornalistas depois de participar num debate em Madrid organizado pela Câmara Hispano Portuguesa (CHP) onde analisou a situação económica portuguesa e as perspetivas futuras.

"A ideia que alguns querem transmitir aos portugueses de que é possível evitar os sacrifícios com não pagar a dívida é totalmente falsa", disse.

"Mesmo nos Estados sem que houve reestruturação negociada como a Grécia, ou Chipre os sacrifícios impostos a esses países e a população desses países foi bem superior", considerou.

Poiares Maduro considerou ainda mais grave "imaginar o que seria se (a renegociação) fosse não negociada" algo "verdadeiramente catastrófico, com impacto sobretudo nos que menos têm".

"Acho que é uma irresponsabilidade e uma tentativa de em Portugal alguns tentarem convencer os portugueses que é possível evitar sacríficos com ilusões de soluções milagrosas que apenas se traduziam em maiores sacrifícios", disse.

Questionado sobre o facto de o manifesto ter entre os signatários pessoas próximas ao PSD e ao PR, Poiares Maduro disse apenas "cada pessoa assume a responsabilidade por aquilo que defende".

"Mas acho uma enorme irresponsabilidade", disse.

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