PCP vai propor revogação da reorganização das urgências

O PCP vai apresentar um projeto de resolução para revogar a reorganização das urgências na área metropolitana de Lisboa, receando as "consequências gravíssimas" desta medida para os utentes, anunciou hoje o dirigente comunista Jorge Pires.

"O que haverá é ainda mais portugueses a quem é negado o direito à assistência médica, mais portugueses afastados do acesso à prestação de cuidados de saúde, mais portugueses sujeitos a uma política criminosa que os condena a uma morte prematura", acusou Jorge Pires, da comissão política do PCP.

Em conferência de imprensa, na sede do PCP, Jorge Pires anunciou que o grupo parlamentar comunista entregará na Assembleia da República no início da sessão legislativa um projeto de resolução para revogar a medida, que concentra, a partir de hoje, o atendimento noturno nas especialidades de Oftalmologia e Psiquiatria nos Hospitais de Santa Maria e de São José.

O diploma proporá, acrescentou, "a criação de condições para uma correta avaliação das verdadeiras necessidades na rede de urgências da Área Metropolitana de Lisboa, que coloque no centro das preocupações os interesses dos utentes".

Para o PCP, a reestruturação das urgências noturnas foi feita "a regra e esquadro" com o objetivo de "destruir o Serviço Nacional de Saúde" para "transferir para os grandes grupos monopolistas da saúde a prestação de cuidados com o respetivo financiamento público".

"Os números não enganam. Em 2012, a quebra de atendimentos nas urgências dos hospitais públicos foi superior a 500 mil, enquanto nos hospitais privados, no mesmo período, a previsão, segundo o presidente da Associação de hospitais Privados, era de um aumento de 250 mil atendimentos face aos mais de 1,7 milhões realizados em 2011", indicou.

O dirigente do PCP questionou se quem decidiu a reestruturação das urgências noturnas "conhece a rede de transportes na área metropolitana de Lisboa", em particular à noite.

Jorge Pires considerou que os dois hospitais em causa "não têm capacidade de resposta para o volume de afluência de episódios que irão ocorrer" e questionou que poupança será feita "quando os doentes vão passar a andar de ambulância de hospital em hospital com custos elevadíssimos".

"O que temos a certeza é que a concentração destas urgências no período noturno num espaço do território nacional que vai desde o Algarve até Leiria é uma coisa brutal e certamente vai trazer muitos problemas quer aos profissionais que trabalham nas urgências como aos doentes que precisam desse apoio e com qualidade", criticou.

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