PCP quer ouvir ministro da Defesa no Parlamento

O PCP propôs chamar à Comissão parlamentar de Defesa o ministro José Pedro Aguiar-Branco "para debater a situação de mal-estar existente nas Forças Armadas".

O pedido tem por base as recentes "ameaças e acusações graves" do ministro às associações militares e aos seus dirigentes, pelo que "a Comissão de Defesa não pode permanecer indiferente" nem "deixar de confrontar o ministro da Defesa Nacional com às suas responsabilidades na situação de desestabilização que presentemente se vive" nas fileiras.

Alterações no sistema de saúde militar, congelamento das promoções e carreiras são alguns exemplos das medidas do Governo que explicam esse clima e que são citados pelo PCP.

Recorde-se que Aguiar-Branco acusou às associações militares de estarem a fazer política ao referirem-se a casos exteriores às associações Forças Armadas.

O deputado António Filipe, à margem do plenário desta sexta-feira, qualificou as críticas de Aguiar-Branco como "declarações inaceitáveis" de quem tutela as Forças Armadas.

"A situação criada pelo ministro é grave pela desestabilização" que gera nas Forças Armadas "e lança a instabilidade entre o Governo e as chefias militares".

Recorde-se que, no passado dia 1 deste mês, num discurso escrito proferido num almoço organizado pela revista Segurança e Defesa, o ministro da Defesa disse o atual modelo de Forças Armadas é insustentável - pelos recursos que exige quando "não há dinheiro" nem haverá nos anos mais próximos - e acusou as associações militares (no caso a de sargentos) de fazerem intervenções políticas que extravasam as suas competências socio-profissionais ao falarem em casos como o BPN ou as parcerias público-privadas (PPP).

Uma semana depois, com a divulgação de uma carta aberta da associação de oficiais dirigida ao ministro da Defesa e que verbalizava muito do prolongado descontentamento dos militares com medidas penalizadoras e com o referido discurso de Aguiar-Branco, o ministro alargou à AOFA as acusações de estarem a fazer política (e citando os mesmos exemplos do BPN e PPP).

As associações reagiram duramente, acusando o ministro de não os receber nem ouvir as suas posições. Ouvido pelo DN, o presidente da Comissão de Defesa disse que até agora só a associação de sargentos pediu para ser recebida, ao contrário das de oficiais e praças.

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