PCP quer novo Governo em eleições, mas sem PS

"O país não está condenado ao rotativismo, da alternância sem alternativa", protagonizada "pelos partidos da troika". Jerónimo pediu eleições antecipadas, excluindo socialistas de uma solução de Governo.

O secretário-geral do PCP pediu hoje, na abertura do XIX Congresso do partido, no Pavilhão de Desportos do Feijó (Almada), "a demissão deste Governo, que se exige e impõe, não para que resulte um outro governo à margem do povo" que continue a mesma política, mas para que se devolva "ao povo" a decisão sobre "uma nova política".

De uma penada, Jerónimo de Sousa pediu eleições antecipadas, recusando qualquer solução governativa que não resulte disso. E, sublinhou, afastou um entendimento com "os partidos da troika", incluindo assim o PS. "O país não está condenado ao rotativismo, da alternância sem alternativa", protagonizada "pelos partidos da 'troika'", resumiu.

Ainda assim, uma pequena porta se abriu, quando mais à frente, o líder comunista defendeu que "antes de dizer o governo com quem, queremos saber o governo para quê". "A alternativa é possível", insistiu, para sublinhar que "a luta de massas será um elemento crucial na derrota da direita".

Das lutas de massas, Jerónimo de Sousa enunciou depois os diferentes movimentos de contestação social aos governos, desde a manifestação dos professores em janeiro de 2011 (ainda no tempo do executivo socialista de Sócrates) às mais recentes manifestações e a última greve geral. Curiosamente, o secretário-geral do PCP ignorou as duas grandes manifestações dos últimos anos, organizadas por movimentos de cidadãos, como o 11 de março (de 2011) e o mais recente 15 de setembro.

Num discurso de uma hora e meia e sem um desvio do guião mais ortodoxo, Jerónimo voltou a atacar a União Europeia, dizendo que esta "não é reformável" por ser "concebida como um instrumento do grande capital". Por isso, defendeu, "o PCP reafirma o pleno direito do povo português decidir o seu próprio destino".

Já na parte final da intervenção, que foi também uma quase prestação de contas sobre o trabalho do PCP, Jerónimo voltou a criticar a lei do financiamento dos partidos que, identificou, "visa o ataque à festa do 'Avante!' e ao partido". E recusou ser financiado pelo Orçamento do Estado, dizendo que os comunistas devem poder financiar as suas iniciativas.

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