PCP diz que previsões confirmam "perspetivas mais negras"

O PCP considerou hoje que as previsões do Banco de Portugal agora divulgadas confirmam "as perspetivas mais negras" e reconhecem que o cenário para 2014 pode vir a ser "catastrófico".

"No essencial estes números confirmam as perspetivas mais negras", afirmou o deputado do PCP Miguel Tiago, em declarações aos jornalistas a propósito do Boletim Económico da Primavera do Banco de Portugal.

No documento, o Banco de Portugal revê em baixa as projeções para o desempenho da economia este ano, esperando agora uma recessão de 2,3% do Produto Interno Bruto, em linha com o esperado pelo Governo e "troika'.

Relativamente a 2014, o Banco de Portugal espera que a economia cresça apenas 0,3% se for considerado um cenário que inclui os cortes na despesa pública já anunciados pelo Governo.

Sublinhando que o Banco de Portugal aponta agora para uma recessão "bem mais grave do que aquilo que estava inicialmente previsto", o deputado comunista destacou o facto dos números para 2014 serem baseados numa perspetiva de que não haverá mais cortes.

Contudo, acrescentou, o próprio Banco de Portugal faz "alusão aos novos cortes" e "acaba por reconhecer que o cenário para 2014 também pode vir a ser catastrófico, pode não vir a verificar-se nenhuma recuperação em função dos cortes que o Governo virá a aplicar".

Ou seja, mesmo o cenário de estagnação apontado para 2014 é provavelmente "demasiado otimista para a realidade".

Miguel Tiago destacou ainda os "dados muito preocupantes" revelados pelo Banco de Portugal sobre a quebra da procura interna e a desaceleração na procura externa.

"Todos os fatores confluem e convergem para um agravamento profundo da situação económica", frisou, notando que a própria redução do défice da balança comercial não é conseguida à custa do aumento das exportações, "como seria desejável, mas essencialmente à custa da quebra do consumo interno".

"O indicador que o Governo usa muitas vezes como positivo, é um indicador da tragédia que o país está a atravessar", enfatizou.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG