PCP acusa maioria de fazer das secretas "offshore político"

Os partidos da maioria travaram no plenário a audição em comissão de Passos Coelho por causa da reorganização nos serviços secretos. PSD e CDS votaram isolados contra o recurso do PCP à decisão da presidente da mesa, Assunção Esteves, que negou a validade de um requerimento potestativo dos comunistas dirigido ao primeiro-ministro.

O deputado comunista Bernardino Soares acusou a maioria de fazer dos serviços secretos um "offshore político". "O que se está a decidir é que há uma área da administração do Governo que não é fiscalizada pela Assembleia da República. Apelamos à maioria que não ponha a Assembleia numa situação de exclusão política como são os serviços de informações," disse.

PS e BE estiveram ao lado dos comunistas. Carlos Zorrinho, líder da bancada socialista, considerou que o dever de esclarecimento justificava uma "situação excecional". Luís Fazenda disse que Assunção Esteves vai deixar "uma lesão no direito potestativo das oposições". "Os potestativos são um direito das minorias. Está a ser criado precedente. Não creio que seja um dia feliz para a democracia parlamentar."

O deputado do PSD Matos Correia acusou os comunistas de querem criar um número político, mais do que ouvir o primeiro-ministro. "Os senhores não contarão connosco para achincalharem o Parlamento e para fazerem coisas que os senhores sabem que estão erradas." Os sociais-democratas insistiram que o primeiro-ministro está obrigado a vir de 15 em 15 dias ao Parlamento e que no limite até pode responder em carta fechada.

Telmo Correia, do CDS, argumentou que não foi para ouvir o primeiro-ministro que "foi criada a norma" das audições por potestativo. O centrista avisou que "o primeiro-ministro não responde onde e quando o PCP lhe apetece. E muito menos vocês controlam as respostas que dá." Telmo Correia criticou ainda o PS, "um partido com responsabilidade de Estado", por ir a "reboque do PCP".

O debate ainda ficou marcado por uma troca de palavras entre Assunção Esteves e Carlos Zorrinho. A presidente da Assembleia justificou que não convocou a conferência de líderes para debate o assunto porque não recebeu nenhum requerimento nesse sentido. Zorrinho perguntou-lhe se, apesar disso, não houve nenhum membro da mesa que lhe sugerisse a ideia, referindo-se de forma velada ao socialista Ferro Rodrigues, vice-presidente do Parlamento. Assunção respondeu que essa hipótese não lhe foi sugerida, apenas opinada. Mas que não é competência de nenhum membro da mesa fazê-la.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG