Paulo Macedo deveria" ter-se demitido há dois anos"

Constantino Sakellarides, presidente para a Fundação da Saúde,criticou , esta quinta-feira, o ministro da Saúde, afirmando que ele perdeu o direito ao lugar, assim que quis transferir responsabilidades para o Ministério das Finanças.

"Porque um ministro da saúde não pode mexer em saúde se tem um mandato do programa de ajustamento para desinvestir em saúde. Como é que se poder ser ministro da saúde com um mandato para desinvestir em saúde? Não pode ser", disse Constantino Sakellarides num debate sobre "Reformar o Sistema de Saúde", realizado no Hospital de S.João.

O responsável entende que, "sendo ele [Paulo Macedo] uma pessoa inteligente, devia ter percebido que não era possível fazer outra coisa se não sair do colete em que estava enfiado". "E, ao fazer isto, fazia um serviço ao país porque chamava a atenção de que, com este programa de ajustamento, que vai continuar, nós não teremos investimento em saúde nos próximos anos".

O especialista em saúde pública defendeu que "uma reforma exige alguma energia e alguma paz social". "Tem que haver vontade de contribuir, tem que existir uma base social de apoio forte que permita tomar passos polémicos, difíceis de negociação e de entendimento. E é evidente que nós não estamos nessa situação e precisamos de estar".

"Na saúde, distraímo-nos muito, nos últimos anos, com a ideia de que somos um setor à parte - não é verdade. Somos altamente dependentes, no país e fora do país. Falar de política de saúde significa falar do conjunto de políticas públicas", defendeu.

O responsável apresentou um gráfico com a representação da estimativa do PIB do país, em vários momentos, nos últimos três anos.

"Esta estimativa foi refeita a cada seis meses, piorando a expetativa em relação ao anterior. Mas o que me impressiona tanto não é o facto de ter sido revista tão frequentemente, o que me impressiona é essa revisão ter sido feita sem nenhuma aprendizagem", criticou.

Ou seja, em seu entender, "quem revê seis vezes seguidas números que não funcionam, tem de chegar à conclusão de que alguma coisa não está a funcionar bem". "O que acontece é que não há de facto aprendizagem. O modelo continua, independentemente do resultado. Isto é um fenómeno pouco inteligente e muito destrutivo. Há uma lógica de instrumento financeiro que não tem relação com qualquer política pública".

"O instrumento financeiro puxa abrupta, intensa e insistentemente e só afrouxa em última instância, quando é inevitável, não quando os números mostram que não funcionam", frisou.

Para Sakellarides, Portugal precisa de "caminhar para o modelo real, que é a visão conjunta e concertada das políticas públicas".

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