Passos "só perceberá" erro de afastar PS na noite eleitoral

O primeiro-ministro "só perceberá na noite das eleições" a importância de envolver o PS na resolução da crise em que o País está mergulhado, afirmou este domingo Marcelo Rebelo de Sousa.

"Pedro Passos Coelho está mal, com a sua teimosia de não passar cartão a António José Seguro. Só perceberá isso no dia das eleições, até lá não perceberá. Não vale a pena explicar-lhe porque ele acha que não é importante para o País e não é importante para o Governo envolver o PS. Só perceberá na noite das eleições, quando quer que elas sejam", insistiu o comentador da TVI.

Marcelo, manifestando estranheza com a opção do Governo em enviar uma carta à troika sem informar o PS, considerou também que o primeiro-ministro fez uma remodelação "à Passos Coelho", irrelevante por ser "às pinguinhas" e não permitir ao Governo recuperar credibilidade.

"Isto não é o que o Governo precisa para ganhar credibilidade", frisou Marcelo, lembrando que tem ainda "um efeito adicional" de levar os ministros em funções a pensarem que "estão a prazo" até à próxima mini-remodelação.

Sobre a carta do Governo à troika, Marcelo observou ainda que "Pedro Passos Coelho continua na mesma onda: assim como não tem paciência muita paciência para Paulo Portas dentro da coligação, não tem paciência nenhuma para o PS fora da coligação. E às vezes com a UGT pouca paciência tem. É um problema importante", até porque "um dos trunfos portugueses" perante o exterior "é a ideia" de que em Portugal "há consenso político e consenso social".

Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda ser "injusta a dois títulos" a comparação entre Salazar e Vítor Gaspar (feita pelo líder da CGTP): além de ser um democrata, o atual ministro das Finanças "não tem a categoria política" do ditador - um "político com P maiúsculo" ao pé de alguém com "uma envergadura de aprendiz de político".

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