Passos recomendou a Salgado que reestruturasse dívida do GES

Primeiro-ministro responde à comissão de inquérito e diz também que o antigo presidente do BES manifestou "apreensão" pela forma como o Banco de Portugal exercia a supervisão.

Pedro Passos Coelho admitiu, em resposta à comissão parlamentar de inquérito à gestão do Banco Espírito Santo (BES) e do Grupo Espírito Santo (GES) que teve duas reuniões com Ricardo Salgado antes da medida de resolução aplicada pelo Banco de Portugal. Na resposta às questões dos deputados, o primeiro-ministro vinca que no primeiro encontro, em S. Bento, a 7 de abril do ano passado, o ex-presidente executivo do BES lhe transmitiu a sua "apreensão" pela forma como o banco liderado por Carlos Costa "vinha a exercer as suas funções de supervisão", mas que isso não conduziu a qualquer "diligência" da sua parte.

Já no segundo contacto com o homem que ficou conhecido como "Dono disto tudo", a 14 de maio, Passos assinala que o antigo banqueiro tinha o propósito de "sensibilizar e procurar o apoio do governo para um plano de financiamento" para reequilibrar as contas do GES, que Salgado - acompanhado por José Honório e José Manuel Espírito Santo - terá definido como um "plano de saneamento do setor não financeiro do grupo", que ascenderia a 2,5 mil milhões de euros.

A ideia do antigo banqueiro, nota o líder do executivo, passaria por "dar tempo ao GES para gerir melhor a sua carteira de ativos", plano que Passos declinou. Aí, terá surgido a contraproposta do primeiro-ministro, que frisa ter aconselhado Salgado a proceder a uma reestruturação da dívida do grupo junto dos seus credores.

"Recomendei, em qualquer caso, que quanto mais cedo o GES iniciasse uma abordagem prática e direta com os seus principais credores no sentido de organizar o eventual incumprimento melhor seria para todos e também para minimizar o impacto na economia nacional", salienta o primeiro-ministro no documento enviado à CPI.

Na mesma bateria de respostas, Passos revela que, em "conversas informais", José Maria Ricciardi algumas vezes "exprimiu a sua incomodidade quanto aos desenvolvimentos sobre a situação do BES e do GES", embora reforce que nunca esses contactos suscitaram qualquer ação do governo junto do banco ou do grupo.

E quando soube dos problemas GES? Passos refere ter tido noção dessas dificuldades através das notícias sobre as medidas preventivas do BdP, no último trimestre de 2013. Contudo, diz que só "nas últimas semanas de julho de 2014 começou a haver maior preocupação quanto à situação financeira do BES".

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