Passos: "Não tinha consciência dessa obrigação"

Primeiro-ministro insiste que não foi notificado pela Segurança Social por ter estado cinco anos sem pagar contribuições e que só por isso não pagou o que devia. E não vê razões para se demitir.

Pedro Passos Coelho lavou as mãos das suas responsabilidades no facto de ter estado cinco anos sem pagar contribuições à Segurança Social e insistiu, por três vezes, que "não tinha consciência dessa obrigação", depois da revelação no sábado passado, pelo jornal Público, que de 1999 a 2004 não pagou o que devia pela sua atividade à Segurança Social.

Confrontado pelos jornalistas esta segunda-feira de manhã, no Salão Internacional do Setor Alimentar e Bebidas (SISAB), em Lisboa, o primeiro-ministro enredou-se em explicações, mas sempre apontando a culpa para os serviços da Segurança Social. "O facto de, durante alguns anos, a Segurança Social não me ter notificado", começou por dizer, "não me impediu de procurar resolver" a dívida que tinha para com a Segurança Social. Depois, foi repetindo a mesma ideia: "Devia ter sido notificado mas não fui", "se tivesse tido essa informação em tempo útil"...

Perante a insistência, Passos Coelho respondeu: "Estava convencido de que elas [as contribuições] eram de opção", disse uma vez. Mais à frente repetiria por outras duas vezes que "não tinha consciência dessa obrigação".

A seguir criticou o facto de a notícia ter vindo a público, sem nunca ter sido notificado. "Não deixa de ser um pouco estranho, que [estes factos que] estão na origem da Segurança Social, não me tenham sido facultados [pela Segurança Social]", recordando que soube do caso, em novembro de 2012, por um jornalista. "Não era matéria do meu conhecimento mas de terceiros", apontou.

Em 2012 entendeu não pagar a dívida, apesar de então esse valor já ter prescrito, para não acharem "que estava a ter benefícios". Agora, quando contactado de novo pelo jornalista, resolveu pagar o valor em causa. "Se a Segurança Social tivesse essa falta registada, teria corrigido imediatamente."

Passos Coelho remataria a conversa dizendo que "gosta de cumprir" com as suas obrigações fiscais e que sempre pagou o valor devido pelos seus rendimentos. E, a finalizar, rejeitou a ideia de não ter condições para governar. "Não vejo que haja razões para isso."

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