Passos garante: o governo "não se intrometeu no Estado de Direito"

Santana, Marcelo e Barroso estiveram com Passos no aniversário do PSD. PM elogiou Cavaco, arrasou propostas de Costa e ainda fez piadas. Balsemão fez propostas para programa eleitoral. E Rio esteve ausente.

Nas comemorações do aniversário do PSD, que se realizou ontem à noite na Aula Magna da Universidade de Lisboa, o primeiro-ministro destacou que, apesar do momento de crise, "nunca ninguém veio dizer que o PSD quis pôr a comunicação social na ordem."

Apesar de não se referir diretamente ao SMS que António Costa enviou a um jornalista do Expresso (isso ficou a cargo do líder parlamentar, Luís Montenegro, à tarde, no Parlamento), Passos Coelho quis apontar os problemas que o governo não teve nos últimos quatro anos de mandato, sugerindo que possam ter acontecido em governos anteriores. "Podem discordar de nós, mas não poderão dizer que utilizámos a crise para nos intrometermos no Estado de Direito, na justiça, na liberdade de expressão ou na liberdade da comunicação social", afirmou o primeiro-ministro.

Passos ressalvou mais do que uma vez a não intromissão do PSD "na Polícia Judiciária, no Ministério Público ou junto de qualquer magistrado", palavras que ganham especial relevância numa altura em que o seu antecessor e ex-líder do maior partido da oposição se encontra detido.

O primeiro-ministro destacou ainda que o governo conseguiu que o país se esteja a libertar "da ditadura dos números, da ditadura das dívidas e a libertar as gerações futuras dos erros do passado".

Numa alusão ao programa macroeconómico do PS, Passos Coelho afirmou que "o maior partido da oposição está mais otimista que o Governo". Sobre algumas propostas dos socialistas no documento, o líder do PSD até utilizou um registo de humor, atirando para a plateia: "E dizem isso sem se rirem".

Sobre submeter o programa macroeconómico ao escrutínio da UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental, do Parlamento), Passos Coelho garante que o PSD não vai forçar a auditoria. Ou seja: Só avançará se o PS estiver disponível a fazê-lo, o que contraria o que outros dirigentes do PSD têm dito.

Elogio a Cavaco Silva

Após Cavaco Silva ter prometido contar a sua versão da "crise do irrevogável" em março quando sair de Belém, Passos Coelho aproveitou a oportunidade para destacar o "papel do Presidente da República" nos momentos difíceis que o país atravessou. Isto depois da sua biografia autorizada (à venda esta noite na Aula Magna) ter relatado parte da intervenção do chefe de Estado nessa crise da maioria governamental.

O primeiro-ministro enalteceu ainda a imparcialidade do Presidente, dizendo: "Se o Governo não fosse PSD, Cavaco Silva teria agido exatamente da mesma maneira"

Balsemão faz propostas para programa eleitoral

O militante nº 1 do PSD fez a intervenção inicial das comemorações do PSD, onde elogiou o atual líder, Passos Coelho, dizendo que o primeiro-ministro "está a acumular um capital de confiança que lhe permitirá, assim o espero e desejo, continuar a chefiar o Governo de Portugal nos próximos quatro anos".

Francisco Pinto Balsemão indicou 12 desafios que espera que integrem o programa eleitoral do PSD: reformar o sistema político, reformar o Estado, reduzir despesa para baixar impostos, reformar Segurança Social, reforçar a competitividade económica (exportações devem ser mais de 50% do PIB), remover os obstáculos à natalidade, combater a desertificação do interior, apostar na inovação empresarial, desenvolver a economia verde, investir no crescimento azul, reforçar a coesão social e exercer uma clara opção europeia.

O fundador do PSD diz não se querer "imiscuir" no programa eleitoral do PSD, mas destacou que "se o PSD vencer estes 12 desafios, demonstrará ainda mais claramente que o PSD existe por si próprio, independentemente das coligações que, em cada momento histórico, tenha de fazer".

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