Passos e Portas tratam de forma diferente o PS

O Governo enfrentou a moção de censura apresentada pelo PS - e naturalmente chumbada pela maioria PSD/CDS - com discursos divergentes no seu interior sobre os socialistas.

Estes, pelo seu lado, revelaram diferenças internas de tom no tratamento a dar ao CDS, diferenças essas protagonizadas por António José Seguro (que abriu o debate) e Carlos Zorrinho (que encerrou).

Como previsto, a maioria PSD/CDS chumbou a moção de censura. O resultado foi 131 votos contra e 97 (das bancadas do PS, PCP, BE e PEV) a favor. Entre os votos contra, 108 foram do PSD e 23 do CDS.

Durante o debate, no Governo as diferenças notaram-se entre Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. Enquanto para Passos já nada há a fazer quanto à "rutura" consumada pelos socialistas face ao Governo, para Portas ainda é tempo de apelos.

"O PS resume uma escolha construída em favor da radicalização na confrontação política com o Governo e assinala a sua opção de dar preferência ao calendário partidário em detrimento do calendário relevante para o país", disse o primeiro-ministro, logo a abrir uma intervenção que acabaria por ser centrada em ataques ao PS (e que concluiu dizendo que "Portugal e os portugueses mereciam certamente mais do PS de hoje").

Encerrando as intervenções do Governo - que incluíram, a meio do debate, um discurso do ministro das Finanças -, Paulo Portas escolheria um tom mais suave em relação aos socialistas, embora não isento de críticas.

Para Portas - e reside aqui a principal diferença do seu discurso face aos de Passos - o tempo é, ainda, de apelos: "Paremos para pensar quando PS fala em 'rutura definitiva' com o Governo", disse. Esta é, disse ainda, uma "frase ambiciosa mas muito pouco prudente". Porque há que pensar no que sobraria da "reputação internacional" de Portugal se o País "não dispusesse de margens mínimas de consenso nos partidos do arco da governabilidade". Dirigindo-se à bancada do PS deixou um apelo: "Vale a pena não levar longe de mais esta ideia de rutura. Precisamos mais de soluções do que de moções."

Já no PS, o ponto de aparente dissonância foi o CDS. Seguro, que abriu o debate, poupou o partido de Portas, salientando mesmo que é preciso dar "atenção" à "evolução discursiva" dos centristas quando falam de "crescimento económico e emprego".

No entanto, ao encerrar a intervenção socialista no debate, Carlos Zorrinho não poupou críticas aos centristas. O CDS-PP - disse - "é uma espécie de partido bailarino", e desempenha no Governo um "estranho papel" em que está "ora dentro, ora fora", "ora com um pé no poder ora com um pé na oposição", "defendendo tudo e o seu contrário".

O CDS - prosseguiu o líder parlamentar do PS - é, além de "bailarino", um partido "com grande capacidade contorcionista". Mas "o fogo fátuo tem limites", o CDS "não pode continuar a ser e a não ser". Por isso deixou um ultimato, considerando o voto dos centristas na censura [contra] como "importante e clarificador" da posição do partido.

Nas oposição à esquerda do PS, a nota mais saliente vai para o facto de todas as intervenções se terem concentrado em atacar o Governo, isentando o PS de reparos (nomeadamente pelo facto de os socialistas continuarem a dizer que apoiam os objetivos de consolidação orçamental decretados pelo memorando).

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