Passos e Cavaco Silva recebidos com vaias e assobios

O primeiro-ministro e o Presidente da República foram com vaias e gritos de "demissão, demissão", hoje, nos Paços do Concelho, durante as comemorações do 5 de outubro, em Lisboa.

Os pedidos de demissãos e vaias continuaram enquanto o Presidente da República hasteava a bandeira e se ouvia o hino de Portugal.

Depois de no ano passado as cerimónias oficiais terem decorrido no Pátio da Galé, este ano regressam ao interior do edifício da câmara de Lisboa, o que não acontecia desde há oito anos, antes de o atual Presidente da República, Cavaco Silva, ter decidido em 2006 abrir as celebrações ao público na Praça do Município.

Segundo a organização, a decisão de voltar ao interior dos Paços do Concelho teve que ver com a simplificação das celebrações, uma vez que, a partir deste ano, a data já não é feriado.

O feriado de 5 de Outubro foi eliminado através da aprovação de alterações ao Código do Trabalho, a 11 de maio do ano passado, em conjunto com os feriados da Restauração da Independência (1 de Dezembro), e os feriados religiosos de Corpo de Deus (60 dias após a Páscoa) e do Dia de Todos os Santos (1 de novembro).

O primeiro momento das cerimónias será o tradicional hastear da bandeira nacional na varanda dos Paços do Concelho pelo chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva. Foi na varanda da câmara de Lisboa que foi proclamada a República a 05 de outubro de 1910.

De seguida, já no Salão Nobre da câmara de Lisboa serão proferidos os discursos do presidente da autarquia da capital, António Costa, e do Presidente da República.

No ano passado, o chefe de Estado falou dos sacrifícios que têm sido pedidos aos portugueses, advertindo que têm de ter um propósito e defendendo a necessidade de Portugal ter uma linha de rumo de médio e longo prazo.

Num discurso dedicado aos jovens, ao papel da educação e em que elogiou a missão dos professores, Cavaco Silva abordou ainda a questão do papel do Presidente da República, sublinhando que "deve situar-se numa posição suprapartidária, acima das controvérsias políticas que marcam o dia-a-dia, pois só assim poderá ser moderador em caso de conflitos, promotor de consensos, atuar com isenção e imparcialidade".

No ano passado, dois 'episódios' acabaram por marcar as comemorações oficiais do 5 de Outubro, com a bandeira nacional a ser hasteada com o escudo ao contrário, e a entrada súbita de uma mulher no Pátio da Galé, a gritar contra a atual situação do país, enquanto discursava o Presidente da República.

Ao contrário do que aconteceu em 2012, este ano os jardins do Palácio de Belém voltam a estar abertos ao público, entre as 10:00 e as 19:30, com um programa de atividades pedagógicas e concertos, numa iniciativa do Museu da Presidência da República. De acordo com o programa divulgado, prevê-se a atuação de agrupamentos de música popular portuguesa, como as Adufeiras de Monsanto, o racho de cantadores da Aldeia Nova de São Bento e os Pauliteiros de Miranda, além de um concerto de fado com Gisela João.

Estará ainda patente uma mostra de instrumentos tradicionais portugueses e serão feitas projeções de vídeos do projeto "A Música Portuguesa a Gostar dela Própria", filmados em diferentes zonas de Portugal.

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