Passos defende exame de consciência sobre abstenção

O presidente do PSD e primeiro-ministro defendeu hoje que agentes políticos, comentadores e jornalistas devem fazer um exame de consciência sobre o que é preciso mudar para evitar o nível de abstenção registado nas eleições europeias.

No discurso de abertura da reunião do Conselho Nacional do PSD, a que a comunicação social pôde assistir, Pedro Passos Coelho considerou que a responsabilidade pelo "alheamento" de dois terços dos eleitores portugueses das eleições de domingo "tem de ser assacada aos responsáveis políticos", mas não só.

Alegando que a coligação PSD/CDS-PP falou sobretudo de temas europeus nesta campanha eleitoral, Passos Coelho apontou o dedo à comunicação social: "A caricatura do debate político que chegou à casa das pessoas foi demasiado pobre. Falámos 90% da Europa e 10% do resto. Se calhar, não devíamos ter falado de mais nada para que, pelo menos, o que falámos sobre Europa pudesse ter passado".

Referindo-se aos agentes políticos, comentadores e jornalistas, o presidente do PSD acrescentou: "Todos precisamos de fazer um exame de consciência para saber em que medida precisamos de mudar de atitude para que que as pessoas se sintam mais mobilizadas, mais atraídas, mais empenhadas na discussão europeia".

Quanto ao resultado da coligação PSD/CDS-PP nas eleições de domingo disse que "é claramente insatisfatório", que "é pouco".

Contudo, reiterou que não põe em causa a "capacidade para ganhar as eleições legislativas de 2015" e relativizou uma vez mais a vitória do PS: "É pouco para todos os outros também. Ninguém aqui se pode ficar a rir".

Passos Coelho não abordou a atual situação interna do PS: "Poderia referir-me ao que se passa noutras formações partidárias, mas não o quero fazer esta noite".

No entanto, falou de forma genérica na oposição, dizendo não existir alternativa nas "forças conservadoras, saudosistas ou simplesmente demagógicas" que só falam em "repor isto, repor aquilo", e apresentou a coligação PSD/CDS-PP como um "espaço de verdadeiro progresso" que tem de ser alargado.

"Conseguimos dar boa conta do recado, não estamos satisfeitos ainda com o resultado a que chegámos. Mas é por aqui que se tem de ir. Não é a repor tudo, a prometer tudo, a antecipar tudo, a pôr em risco as metas a que nos comprometemos. Não é por aí. Esta conversa, já se percebeu, não é uma conversa que mobilize o eleitorado, porque quem a fez não levou os seus votos", sustentou.

O presidente do PSD apelou à mobilização dos sociais-democratas e admitiu que a atual maioria possa precisar "de afinar a comunicação, de explicar melhor" e de "arranjar mais tempo para atender telefonemas, para receber algumas pessoas".

IEL // DM.

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