Passos contra-ataca: "Não somos todos iguais, não usei o meu cargo para enriquecer"

Primeiro-ministro fez um dos discursos mais violentos desde que assumiu o cargo por causa da alegada dívida à Segurança Social

De peito aberto e de forma violenta, Pedro Passos Coelho procurou encerrar esta terça-feira a questão das suas dívidas à Segurança Social. O primeiro-ministro admitiu as suas "imperfeições", mas insinuou que são os seus adversários políticos a procurar "expor a sua vida pessoal e fiscal".

"Não sou um cidadão perfeito, nunca o procurei ser. Muitas vezes me atrasei ou não entreguei [contribuições] na altura que o Estado me exigiu, mas quem quiser remexer na minha vida para encontrar episódios desses não precisa de se dar a esse trabalho nem quebrar as regras de sigilo. Nunca deixei de solver as minhas responsabilidades, não tenho qualquer dívida ao fisco", atirou o presidente do PSD no encerramento das jornadas parlamentares dos sociais-democratas, que teve sempre o PS e os jornalistas sob mira.

E foi mais longe ao apontar o dedo a quem "fora das suas atribuições profissionais procurou saber detalhes" da sua vida e "invadir a [sua] esfera privada". "Eu e a minha família estamos preparados para neste ano de eleições enfrentarmos todo esse tipo de debate político. Faço questão de o dizer: há jornalistas e jornais que querem expor a minha vida fiscal apenas com o propósito de sugerir que somos todos iguais", reforçou o primeiro-ministro numa clara alusão ao seu antecessor, José Sócrates.

Isto porque, segundo Passos, as sondagens estão a mostrar aos socialistas que as eleições, afinal, "não vão ser um passeio". "Quando os nossos adversários têm pouco para oferecer, julgam que alguma chicana política poderá ter utilidade. Espero que não vão por aí, mas não será por qualquer pressão que deixarei de fazer o que a minha consciência me mandar", atirou o líder do executivo para adensar os recados dirigidos ao Largo do Rato, quando estamos a menos de oito meses das legislativas e as projeções mais recentes apontam para um empate técnico entre os socialistas e a maioria PSD-CDS.

Desferidos os ataque a Costa, Sócrates voltou implicitamente à intervenção do primeiro-ministro - para diferenciar aquela que diz ser a sua postura enquanto governante. "Nunca o cidadão Pedro Passos Coelho usou o cargo que tinha para disfarçar, esconder ou evitar qualquer tratamento exatamente igual ao que qualquer outro cidadão teria. Nem para enriquecer, prestar favores ou viver fora das suas possibilidades."

Com a operação Marquês ainda fresca, Passos insistiu: "Quando sair do lugar de primeiro-ministro, aconteça isso quando os portugueses entenderem, voltarei à minha vida normal, que não alterei e a viver com as minhas posses, que são as mesmas - para não dizer que são muito menores que aquelas que tinha."

Muito aplaudido pelos deputados sociais-democratas - o pagamento tardio à Segurança Social causou um indisfarçável mal-estar entre os parlamentares que estiveram no Porto -, Passos sentenciou um dos discursos mais incendiados desde que é primeiro-ministro com a ideia de que nunca tomou qualquer decisão com outro desígnio que não o "interesse nacional", renovando a tese de que nunca fez favores, protegeu grupos de maior ou menor dimensão ou pressionou jornalistas.

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