Passos Coelho: "Se conseguirmos governar sozinhos ainda melhor"

Líder do PSD anunciou que vai convocar Conselho Nacional extraordinário para discutir coligação com o CDS, mas que ainda "não é este o tempo". Admite ir a votos sozinho e promete aliviar a austeridade

Pedro Passos Coelho disse esta noite que ainda "não é este o tempo" de discutir a coligação pré-eleitoral com o CDS. Na intervenção inicial no Conselho Nacional (como habitual, à porta fechada) o primeiro-ministro disse que "no devido tempo a Comissão Política Nacional do PSD convocará um Conselho Nacional para debater a coligação".

Passos Coelho admitiu ainda que o PSD pode ir sozinho a votos. O líder social-democrata afirmou que o partido precisa "de saber como vamos governar país no futuro. Se fazemos coligação com o CDS antes ou depois das eleições", mas acrescentou: "Se conseguirmos governar sozinhos ainda melhor".

O primeiro-ministro prometeu ainda o fim da austeridade, dizendo que "os portugueses sabem o que esperar do PSD no futuro: removeremos as medidas excepcionais que tivemos de adotar". Porém, sempre prudente, complementou que "os portugueses sabem que nunca nos faltou coragem para levar a cabo o que faz falta ao país".

Perante os conselheiros - no Hotel Sana, em Lisboa - Passos Coelho alertou ainda para a necessidade de um executivo suportado por uma maioria parlamentar, dizendo que é "impensável governar o país", estando "dependente das imposições do PS"

Voltando à coligação: à semelhança do que o DN escreveu na edição de ontem, Passos Coelho não quer precipitações e ainda duvida dos benefícios eleitorais de uma eventual coligação com o CDS. O primeiro-ministro e líder do PSD aguarda por uma nova sondagem que clarifique precisamente que mais-valia poderá trazer listas conjuntas com o CDS para as próximas legislativas.

As últimas sondagens internas indicaram que o PSD é mais forte sozinho em alguns círculos do que em coligação com os centristas. Este adiar de uma decisão por parte de Passos Coelho também está relacionado com o equilíbrio de forças negocial com os democratas-cristãos.

Com esta intervenção, Passos Coelho acabou por condicionar também a discussão que seguiu do Conselho Nacional, o órgão máximo entre congressos do partido, que ainda decorria à hora de fecho desta edição. Ao anunciar que marcava um CN para o efeito, inibiu alguns dos conselheiros a insistirem no tema. Ainda assim houve quem levantasse a questão.

Outro dos assuntos que se aguardava que pudesse ser levantado na reunião de ontem seria as ligações do coordenador do Gabinete de Estudos do PSD, Rogério Gomes, ao Insituto do Território e os ajustes diretos que terá feito (investigação que o DN realizou).

O DN apurou que Pedro Passos Coelho não pretendia sequer abordar o assunto, sendo que ele só terá sido levantado se algum dos conselheiros tomar a iniciativa de o fazer durante a noite.

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