Passos Coelho quer fazer da Constituição um "inimigo"

A coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins acusou no sábado o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de querer fazer um "inimigo" da Constituição da República, numa resposta ao discurso que o governante fez na sexta-feira, na festa do Pontal.

"É de uma extraordinária gravidade que seja possível, num país democrático como Portugal, que um primeiro-ministro tente ter a Constituição como inimigo", afirmou a dirigente do Bloco de Esquerda, num comício de verão realizado em Portimão.

Catarina Martins disse que Pedro Passos Coelho apresentou na festa social-democrata "um programa completo de suspensão da Constituição", que considerou ser o garante dos Estado Social e dos trabalhadores, e defendeu que "este é um país a saque".

"Para o primeiro-ministro a Constituição não pode valer e se a Constituição não vale, nada vale. Temos um país a saque", criticou, apelando à luta contra as intenções do governante.

Catarina Martins considerou o discurso de Pedro Passos Coelho como "grave", porque "o primeiro-ministro disse que os país está mal e que vai ficar pior, que está mal e que quer despedir mais gente, quer cortar mais nos serviços públicos, mais nas pensões". "Diz que foi um ano terrível e que é um ano ainda pior que quer no ano que vem", sublinhou.

O primeiro-ministro dramatizou na sexta-feira um eventual 'chumbo' do Tribunal Constitucional a medidas propostas pelo Governo, considerando que alguns dos resultados já alcançados poderão ser postos em causa e se poderá "andar para trás".

Admitindo que o caminho que é preciso percorrer "não é isento de riscos", Pedro Passos Coelho isolou "os riscos constitucionais", reconhecendo que "esses riscos existem".

"Eu tenho de ser transparente, eu não posso garantir que não haja do ponto de vista constitucional riscos que não se possam materializar. Se eles se materializarem alguns dos resultados que conseguimos até hoje poderão estar em causa e poderemos andar para trás", disse, no discurso na Festa do Pontal, no calçadão da Quarteira, que marcou a 'rentrée' social-democrata.

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