"Passos Coelho quer contar-nos a história do Pedro e o lobo"

O PS explica como desceu a taxa de desemprego, em 0,2%, e aumentou o PIB em 1,5%. Mário Centeno, o economista que coordenou o programa macro-económico lembra que a população ativa está em queda há 45 meses.

" Os portugueses, os empresários e trabalhadores estão de parabéns", começou por dizer Mário Centeno, numa conferência de imprensa esta tarde, na sede do PS, em Lisboa, numa primeira reação ao anúncio do Instituto Nacional de Estatisticas, sobre a descida da taxa do desemprego, em 0,2 pontos percentuais em julho, face a junho, e do crescimento do PIB em 1,5% no segundo trimestre de 2015, face ao período homólogo.

O economista sublinhou que este crescimento do PIB "é metade do previsto pelo Governo e acontece após um período de enorme sofrimento da economia". As contas do PS recuam até há 45 meses, para salientar uma diminuição da população ativa. "O mercado de trabalho voltou a encolher, entramos no 15º trimestre em que a população ativa cai. Uma redução de 0,5% em termos homólogos", assinalou.

Além disso, sublinha, "esta evolução não é justificada pelo aumento de rendimento disponível dos portugueses", mas sim pelo aumento do crédito ao consumo, disponibilizado pelos bancos, com uma subida de 21% e de 45% para a compra de automóveis.

O PS diz que o investimento não cresceu através da compra de máquinas, fábricas ou construções, mas "devido à acumulação de stocks, produção que não tem mercado, ou matérias-primas que não foram utilizadas".

Quando à descida do desemprego, Mário Centeno lamenta que "para a Coligação 650 mil desempregados" sejam "um sucesso, a que se juntam os 250 mil desencorajados (os que desistiram de procurar emprego) e mais de 350 mil emigrantes. Todos sem espaço no mercado de trabalho em Portugal. Se a estes juntarmos os mais de 160 mil estagiários e os 20% que recebem salário mínimo, ficamos com uma ideia clara do legado destes 4 anos de governo: desigualdade, desemprego, emigração".

E finalizou com uma provocação a Pedro Passos Coelho: " a economia não é um conto para crianças. Conto para crianças é a versão do "Pedro e o Lobo" que o primeiro-ministro nos quer contar. Todos sabemos o que valem os anúncios do Pedro...".

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