Passos admite possibilidade de espiral recessiva

Para além dos protestos nas galerias e dos apelos implícitos de António José Seguro para que o primeiro-ministro se demita, o debate quinzenal no Parlamento foi marcado pelo anúncio de Passos Coelho de que vai aproveitar a 7ª revisão do memorando para "rever as previsões", adaptando o memorando a um dado novo que "tem de ser visto com muito cuidado": a diminuição das exportações.

"Ninguém pode afastar a hipótese de uma espiral recessiva", embora "não haja evidência" de que exista, disse o primeiro-ministro, quase no final do debate, em resposta a João Semedo (BE).

"A manter-se em 2013 o nível de procura externa [registado no final de 2012] não poderíamos manter as previsões. Não desvalorizo este dado. Estamos dispostos a rever as previsões. Iremos proceder a esse exercício agora, no final de fevereiro, na 7ª revisão [do memorando]", afirmou ainda.

O secretário-geral do PS aproveitou os últimos números de 2012 (desemprego em 16,9% e a recessão em 3,2% do PIB, 0,2 acima do previsto pelo Governo) para considerar que "a maior tragédia do país é o primeiro-ministro de Portugal". "O que é o que senhor está a fazer aí?", perguntou, por mais do que uma vez, a Passos Coelho, acrescentando que "devia ter entrado aqui reconhecendo que falhou em toda a linha e que iria mudar de política."

"O que vai dizer à troika? Era momento para dizer 'chega', 'basta'. Este processo de consolidação não é credível", considerou.

Desafiado pelo chefe do Governo a mostrar políticas alternativas, Seguro prometeu que "muito brevemente" o PS promoverá no Parlamento "um debate sobre as trajetórias de consolidação", sendo que a atual "não é credível".

Passos Coelho defendeu-se, mais uma vez, com a herança que recebeu de Sócrates (e de que Seguro, segundo disse, começa agora a ser "um ilustre herdeiro não crítico"). Nesse contexto, relatou com detalhe as várias previsões que o ex-primeiro-ministro socialista fez para o défice em 2009 (começou em 2,2% do PIB e acabou em 9,3%, com a dívida a passar nas previsões de 64% para 83%).

Noutro momento do debate disse, em resposta a Jerónimo de Sousa (PCP), que "não vale a pena estar sempre a agitar as cores negras da situação". Porque - garantiu, perante protestos vários no plenário - "não estamos hoje pior do que estávamos no início deste programa". "A confiança está a estabelecer-se do lados dos credores e esse é meio caminho andado", explicou.

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