Pancadaria motivada por embriaguez e "questões antigas"

Dois militantes do PS, um apoiante de António Costa e outro de António José Seguro, envolveram-se em confrontos físicos junto ao local de voto, tendo um deles chegado mesmo a ser levado pelo INEM para ser assistido no Hospital de Braga.

Apoiantes de António Costa e António José Seguro envolveram-se esta tarde em confrontos físicos à porta da Escola Básica 2+3 André Soares, em Braga, uma das secções de voto com mais votantes inscritos a nível nacional. O incidente foi apenas entre dois militantes, mas acabou por envolver quase uma dezena de pessoas que tentaram separar a briga.

O presidente da concelhia do PS de Braga, Hugo Pires, disse ao DN que as cenas de pancadaria entre os dois militantes foi "um caso isolado". Fonte da PSP de Braga, que foi chamada ao local, também desvalorizou o incidente, dizendo ao DN que o mesmo "não foi nada de especial".

Tanto as autoridades como os dirigentes socialistas no local garantem que "a briga não estará relacionada com a votação" de hoje. Fonte da organização disse mesmo ao DN que um dos militantes estava "embriagado", tendo provocado um outro que, prontamente, respondeu. "Por coincidência são de candidaturas diferentes, mas pegaram-se por questões antigas", garantiu a mesma fonte.

Hugo Pires - apoiante de António Costa - destacou em declarações ao DN que, no geral, "o dia foi muito positivo, com uma grande participação de militantes e simpatizantes, que demonstra que o PS está vivo". Para o socialista a adesão justifica-se uma vez que "não se trata apenas da escolha de um líder partidário, mas de um primeiro-ministro".

Uma hora após o incidente, tudo voltou ao normal e na última hora em que as urnas estiveram abertas a afluência continuou a ser grande. Famílias inteiras, casais de namorados foram chegando em bloco, sendo recebidos pela simpatia dos caciques. Quer de um lado da barricada, quer do outro.

"É a primeira vez que participo numa atividade partidária"

Aos 50 anos, o bracarense António Lopes confessa ao DN: "É a primeira vez que participo numa atividade partidária". Apesar de ser "um homem de abril", nunca teve uma filiação partidária e participa nas primárias como "simpatizante". Ao DN conta que decidiu votar "para que a política em Portugal mude de uma vez por todas".

Para António Lopes "a democracia foi-se deteriorando nos últimos anos e se não fizermos nada, volta a ditatura. Eu já vivi nela e sei que não a quero. Por isso é que vim votar".

Já o militante socialista Vítor Ferreira, 31 anos, aproveita para elogiar a opção pelas primárias, que considera ser "um sinal de abertura à sociedade civil" e - enquanto conhecedor da realidade local, incluindo os adversários - garante que não tem visto pelas urnas simpatizantes doutros partidos. Quanto ao incidente que marcou a tarde em Braga, Vítor define-o como "uma coisa muito ligeira", que "não merece ser empolada".

Rosa Pinheiro, simpatizante, e a filha da Juventude Socialista, Joana Rêgo, também decidiram abdicar da tarde do dia de descanso para votarem numa das maiores secções do País. Rosa decidiu participar nas primárias por um "dever cívico", pois recusa-se a "ficar em casa e deixar que outros escolham por mim". Confessa-se "admirada" com a adesão, que considera "ser superior a muitas eleições nacionais".

Já Joana Rêgo apesar de não ser militante do PS é da JS e defende que as primárias "são importantes para que todos, mesmo os que não são do partido possam escolher o próximo primeiro-ministro". Joana considera que o desgaste do atual Governo faz com que "o que as pessoas estejam hoje a escolher seja o novo primeiro-ministro".

Sobre as primárias, Joana lamenta apenas que a "haja uma divisão tão grande do partido". A mãe, Rosa, como o símbolo do PS, acena com a cabeça e reitera a ideia da filha: "O líder podia ter sido escolhido internamente".

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