PAN. Inês Sousa Real debaixo de fogo. Partido obrigado a congresso

Primeiro deputado do PAN ataca diretamente a sucessora, Inês Sousa Real, agora deputada única. Tribunal Constitucional anulou deliberações do último congresso

Longe vão os tempos em que André Silva e Inês Sousa Real tiravam selfies um com o outro, como na foto em cima, registada em outubro de 2019, no Parlamento.

O desaire eleitoral do PAN - tinha quatro deputados e voltou a ter um, perdendo metade do eleitorado (cerca de 84 mil votantes) - levou o primeiro parlamentar do partido, André Silva, a desenterrar o machado de guerra contra a sua sucessora como porta-voz do partido, Inês Sousa Real, agora a única deputada do PAN. E o conflito vai poder ser dirimido em congresso - um congresso, porém, que o PAN não queria mas que lhe é imposto pelo Tribunal Constitucional (tal como já tinha acontecido em relação ao Chega, os juízes consideraram inválidas algumas alterações estatutárias aprovadas na última reunião máxima do PAN, alterações relacionadas com o regime disciplinar interno).

André Silva escolheu escrever um artigo no Público para dizer tudo o que pensa sobre o resultado do partido pelo qual foi deputado de 2015 a 2021.

"Dança a três"

Segundo escreveu, "o desaire do passado dia 30 tem, sobretudo, causas internas e inteligíveis". Isto é, "de partido estrategicamente dialogante com o PS, o PAN passou a comportar-se como seu afilhado" e depois "não ficou por aqui": "De afilhado nas autárquicas, o PAN passou a porta-estandarte do OE. No encerramento do debate do documento orçamental, assisti a uma intervenção do PAN que sei que alguns deputados do PS não seriam capazes de fazer, tal foi a devoção na defesa do documento e arremessando em direção a tudo o que mexia contra o PS". E "depois deste tango com o partido do Governo, e para pasmo de tantos, não passaram muitos dias até que o PAN viesse anunciar que também queria dançar com o PSD". Enfim: "Nesta dança a três inventada pelo PAN, os eleitores acabaram por excluir o elemento mais dúbio."

"Estou disponível, como sempre estive, para ajudar o meu partido a reposicionar-se e a reconquistar a credibilidade e a voz política que já teve, caso os afiliados decidam por outra liderança."

Sublinhando que desde o momento em que saiu do cargo de porta-voz do PAN não lhe passou pela cabeça regressar, não tendo como ambição ocupar um lugar que já teve, André Silva diz, contudo, que está disponível para ajudar o partido. "Estou disponível, como sempre estive, para ajudar o meu partido a reposicionar-se e a reconquistar a credibilidade e a voz política que já teve, caso os afiliados decidam por outra liderança."

Inês Sousa Real - que não dá sinais de se querer demitir do cargo de porta-voz do partido para o qual foi eleita no congresso do partido realizado em junho do ano passado - respondeu com dureza às críticas de André Silva, considerando o seu artigo "muito oportunístico".

"Não é esta a forma de se estar na política", afirmou, acusando o ex-deputado do PAN de ser "alguém que optou por abandonar o partido". "Não lhe reconheço qualquer tipo de legitimidade", sendo que, além do mais, André Silva foi um dos responsáveis pelo facto de o PAN ter decidido não ir às presidenciais, "perdendo exposição mediática".

joao.p.henriques@dn.pt

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG